Déficit comercial chega em má hora para o País

O déficit recorde da balança comercial (US$ 4,16 bilhões), que indica a diferença entre o que o Brasil exportou e o que importou, no mês passado, surgiu em hora ruim, expondo ainda mais as fragilidades da política econômica. Tão ou mais importante do que a expressão numérica do desequilíbrio, semelhante ao de janeiro de 2013, é o fato de que os investidores internacionais e locais dependem cada vez mais de boas notícias para manter algum otimismo com o País, pois piorou o clima econômico global com relação aos emergentes - e o Brasil está nesse rol.

O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2014 | 02h05

Entre dezembro e janeiro, as exportações caíram da média diária de US$ 992,7 milhões para US$ 728,5 milhões, enquanto as importações aumentaram de US$ 866,3 milhões/dia para US$ 912,9 milhões/dia, indicando que até janeiro o efeito da desvalorização do real sobre as compras no exterior foi pequeno.

O problema central - o enfraquecimento das exportações de bens da indústria - pouco se alterou, com retração de 4,5% nos manufaturados e de 11,3% nos industrializados em geral. Diminuíram as vendas de açúcar refinado, etanol, automóveis e autopeças, entre outros itens.

Um resultado ainda pior foi evitado graças às vendas de produtos básicos, que cresceram 3,2% no mês. Foi recordista a exportação de carne bovina in natura, principalmente para Rússia, Hong Kong, Venezuela e Irã. E China, Países Baixos, Estados Unidos e Itália asseguraram exportações expressivas de celulose.

O déficit comercial se explica pela competitividade do produto importado, não apenas de bens de consumo duráveis (automóveis, eletrodomésticos e móveis), como de capital, matérias-primas e produtos intermediários. Só ao longo do ano, calculam os especialistas, a balança comercial deverá reagir à desvalorização da moeda local. A exportação explicita a crise da indústria.

Alguns fatos novos podem influenciar o comércio exterior, como a desorganização das economias argentina e venezuelana e a perda de velocidade do crescimento chinês, no plano negativo. Ou a recuperação americana e europeia, além da alta de commodities como o café, por causa da estiagem, ou a maior produção de óleo pela Petrobrás (se de fato ocorrer), no plano positivo.

Mas o mais provável é que a balança comercial tenha apenas leve recuperação em 2014 (a pesquisa Focus prevê superávit de US$ 8,09 bilhões e o Bradesco, de US$ 6,9 bilhões). E é da balança comercial que mais dependem as contas externas.

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