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Déficit comercial crescente traz novas preocupações

A balança comercial foi negativa em R$ 2,271 bilhões, na semana passada, e em US$ 6,489 bilhões, de 1.º de janeiro a 21 de abril, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Números relativos a esse curto período não mereceriam grande atenção, não fossem tão ruins, mesmo levando em conta que o grosso da deterioração se deveu à contabilização, em 2013, de parte das compras de derivados de petróleo feitas em 2012.

O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2013 | 02h03

Fica cada vez mais evidente que a balança comercial de 2012, positiva em US$ 19,5 bilhões, foi "enfeitada" graças à mudança do critério contábil - o que também se refletiu na conta corrente do balanço de pagamentos.

Além do efeito da contabilização das importações de derivados de petróleo, a média diária exportada, de US$ 942,7 milhões, neste mês, é 3,6% inferior à de abril de 2012. Os US$ 926,2 milhões de média diária da semana passada foram inferiores aos US$ 953 milhões da primeira semana e aos US$ 948,8 milhões da segunda semana do mês. Em 2013, o recuo é de 2,5% em relação a 2012.

A queda nas vendas semanais de semimanufaturados atingiu 10,8%, puxada por açúcar em bruto, celulose, ferro fundido e ouro. Em produtos básicos, o recuo de 5,2% deveu-se ao minério de ferro, petróleo em bruto, carne bovina e suína e milho em grão.

O comércio exterior brasileiro é, de fato, duplamente afetado. Com a crise global, diminuem as compras dos principais clientes - China, Estados Unidos, Argentina e Holanda. Esses países importaram 11,5% a menos do Brasil em 2013, em relação a igual período de 2012.

O segundo problema é a deficiência das políticas de exportação. É notória a deterioração da infraestrutura - sem esquecer que o PT está no comando há mais de uma década. Crise logística, falta de armazéns e ineficiência dos serviços portuários (só agora a Receita passará a operar durante 24 horas) elevam os custos de exportação da safra de grãos, além de pressionarem a inflação.

Os analistas esperam reversão do déficit e sua substituição por superávit, mas as projeções são cadentes, mesmo levando em conta que o segundo semestre costuma ser mais favorável. O superávit previsto para este ano já é inferior a US$ 11 bilhões e o do ano que vem, a US$ 10 bilhões. Uma política econômica mais eficiente teria preservado as exportações e elevado a corrente de comércio (soma das exportações e importações), que é o que conta.

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