Déficit comercial de novembro assusta

ANÁLISE: José Augusto de Castro

O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2014 | 02h02

O déficit de US$ 2,35 bilhões na balança comercial de novembro assusta, pois mostra quedas de 31,7% na exportação de manufaturados, de 25% na de commodities e de 6,2% nos semimanufaturados, gerando redução acumulada de 25% em relação ao mesmo mês de 2013.

Por sua vez, as importações também tiveram queda acumulada de 5,9%, amenizada pela surpreendente forte valorização de 31,5% na importação de petróleo bruto.

Outrossim, comparando-se a corrente de comércio de novembro de 2014 no montante de US$ 33,642 bilhões com o correspondente total de US$ 39,984 bilhões apurado no mesmo mês em 2013, verifica-se forte redução de 15,9%, que significa impacto negativo direto sobre as atividades econômicas.

Esse resultado projeta US$ 455 bilhões de corrente de comércio em 2014 e queda de 5,7% em relação aos US$ 482 bilhões de 2013, o menor valor dos últimos 4 anos.

Corrente de comércio é que gera atividade econômica, e não o superávit comercial, muito menos o déficit.

O resultado da exportação de novembro foi motivado por fatores fora do controle do Brasil, a expressiva queda nas cotações das commodities, com destaque para minério de ferro e petróleo, amenizados pela elevação em suas quantidades exportadas.

As exportações de manufaturados, mais uma vez, foram afetadas pela forte concentração em um mercado de destino com sérios problemas, a Argentina.

O resultado negativo de novembro consolida o primeiro déficit na balança desde o ano 2000, em montante estimado de US$ 4,8 bilhões, o que vai elevar ainda mais o déficit projetado para a conta corrente.

Por via indireta, espero que esse resultado demonstre a necessidade de o Brasil tomar decisões para reduzir custos tributários, logísticos, burocráticos, etc, para criar previsibilidade e tornar competitivo o produto brasileiro, estimulando sua exportação e viabilizando sua concorrência com o importado, independentemente do câmbio.

* Presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB)

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