Déficit comercial reflete o fiasco das exportações

Pior resultado da história para o mês, o déficit da balança comercial foi de US$ 2,35 bilhões em novembro. E foi de US$ 4,22 bilhões nos primeiros 11 meses do ano (neste caso, o pior em 16 anos), atingindo US$ 1,57 bilhão nos últimos 12 meses, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic). Os resultados são mais negativos do que admitia o governo até há poucas semanas, do que esperavam grandes instituições até meados de novembro e do que constava do Boletim Focus de sexta-feira.

O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2014 | 02h04

Houve um fiasco nas exportações de novembro, de apenas US$ 15,6 bilhões (média diária de US$ 782 milhões). Em 2014, a média mensal de exportações foi de US$ 18,8 bilhões (+20% em relação a novembro) e a média diária, de US$ 898 milhões (15% mais alta). Em novembro de 2013, a média diária exportada atingiu US$ 1,04 bilhão.

No mês, houve grande queda das vendas de minério de ferro, soja, fumo e milho, mas, comparando os primeiros 11 meses de 2013 com igual período de 2014, o recuo das vendas de básicos foi de apenas 1,8%, inferior ao de 4% de semimanufaturados e de 12,4% de manufaturados.

De mocinha a China passou a vilã, no mês passado, absorvendo apenas US$ 1,85 bilhão em produtos brasileiros, queda de 41% em relação aos US$ 3,13 bilhões de novembro de 2013. Já os Estados Unidos cresceram em importância no comércio exterior: entre janeiro e novembro, compraram 9,6% mais do que em igual período de 2013, de US$ 22,6 bilhões para US$ 24,7 bilhões.

A desvalorização do real não teve, até agora, um peso relevante nem há certeza quanto a 2015. A Associação dos Exportadores Brasileiros (AEB) trata as importações de 2015 como incógnita.

O resultado comercial não pode ser tratado como dado isolado, mas como peso pesado nas contas externas - o déficit na conta corrente do balanço de pagamentos foi de US$ 8,1 bilhões, em outubro, e de US$ 84,4 bilhões, em 12 meses, até outubro. Ou seja, no biênio 2013/2014 o comércio exterior deixou de dar sustentação ao balanço de pagamentos. E este só é superavitário, em 2014, por causa do investimento direto estrangeiro e das aplicações em carteira - ou seja, à conta financeira.

Felizmente, o ministro indicado para o Mdic conhece os problemas de custo, burocracia e tributos sobre o comércio exterior e sabe que o governo é o maior responsável pela deterioração do setor.

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