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Déficit da conta corrente cai para US$ 1,5 bi em outubro

Volume menor de remessas de lucros pelas empresas e a desvalorização do câmbio foram fatores determinantes

FERNANDO NAKAGAWA E FABIO GRANER, Agencia Estado

24 de novembro de 2008 | 10h52

O saldo da conta corrente do Brasil com o exterior melhorou, mas ainda continua negativo. No mês passado, o saldo ficou com déficit de US$ 1,507 bilhão, valor menor que o previsto pelos analistas consultados pelo AE Projeções, que esperavam déficit de US$ 2,9 bilhões a US$ 1,7 bilhão. Em setembro, o saldo chegou a ficar negativo em US$ 2,769 bilhões.   Veja também: Investimento estrangeiro de US$ 3,9 bi em outubro é recorde De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise    O saldo da conta corrente é formado pela balança comercial (exportações - importações), a balança de serviços (Fretes pagos e recebidos de navios estrangeiros, juros de empréstimos estrangeiros, lucros remetidos e recebidos do exterior, etc.) e as transferências unilaterais (donativos). O saldo da conta corrente mais a conta de capitais formam o balanço de pagamentos.   A melhora dos números de outubro é resultado de um volume menor de remessa de lucros por parte de empresas para o exterior. No mês passado, as remessas foram de US$ 1,813 bilhão. Em setembro, chegaram a US$ 3,436 bilhão.   O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, afirmou que a desvalorização do câmbio é o fator determinante para o ajuste na conta corrente do Balanço de Pagamentos. O dólar mais valorizado inibe as remessas de lucros, pois reduz o estoque em dólar a ser enviado, e desestimula outras despesas, como viagens internacionais, porque as torna mais caras.   "Inicialmente é o câmbio que faz o ajuste", afirmou Altamir, que não enxerga, neste momento, sinais de desaceleração econômica nas contas externas. "É muito cedo para isso", disse.   Segundo Altamir, o novo perfil do passivo externo brasileiro, em que há predominância de investimentos em relação ao endividamento externo, agiliza os ajustes nas contas externas em momentos de crise. "Essa mudança de composição no passivo externo líquido permite um ajuste bem mais rápido no resultado em transações correntes, quando se tem flutuações como essa que estamos vivenciando agora. Então, era de se esperar uma redução no déficit em transações correntes", afirmou.   Balança comercial   Apesar da redução da remessa de lucros por parte das empresas, o saldo da balança comercial não foi suficiente para cobrir este total e deixar as contas do Brasil com o exterior no terreno positivo. No mês passado, o saldo da balança ficou positivo em US$ 1,207 bilhão e as transferências unilaterais contribuíram com a entrada de US$ 504 milhões favoráveis ao Brasil.   Altamir Lopes destacou a recuperação da oferta de crédito para os exportadores nas últimas semanas. Números dos últimos dias mostram que a média de concessão de empréstimos para o comércio exportador retornou a um patamar superior ao observado em setembro.   De 13 a 19 de novembro, a média diária concedida em Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC) somou US$ 300,2 bilhões. O valor é 123% maior que a média diária de outubro (US$ 135 milhões) e 25,6% superior ao observado em setembro (US$ 239 milhões).   "Os números mostram uma recuperação muito forte do ACC a partir do dia 13", diz Altamir Lopes. Para ele, o aumento do volume de crédito ao exportador tem relação direta com os leilões de venda de dólar com garantia que o BC tem realizado para tentar amenizar o efeito da falta de liquidez no mercado brasileiro.   Acumulado do ano   No acumulado do ano, as transações correntes amargam déficit de US$ 24,771 bilhões, ou 1,86% do PIB. Em igual período do ano passado, a conta corrente era positiva em US$ 3,5 bilhões ou 0,32% do PIB. Nos 12 meses encerrados em outubro, a conta corrente acumula déficit de US$ 26,559 bilhões ou 1,71% do PIB.

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