Déficit da conta de viagens sobe 47,1% em julho e bate recorde, diz BC

Pela 1ª vez, rombo gerado pelos turistas brasileiros no exterior superou US$ 1 bilhão em um único mês 

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

23 de agosto de 2010 | 11h37

O déficit da conta de viagens internacionais do balanço do pagamentos, que somou US$ 1,098 bilhão em julho, é o maior saldo negativo para todos os meses desde o início da série histórica do Banco Central (BC). O resultado foi 47,1% maior que o déficit em igual mês de 2009 (R$ 600 milhões).

De acordo com os dados divulgados nesta segunda-feira, 23, pela instituição, essa foi a primeira vez que o rombo gerado pelos turistas brasileiros no exterior superou US$ 1 bilhão em um único mês. O recorde anterior era o de junho deste ano, quando o déficit foi de US$ 908 milhões. 

O recorde no déficit da conta de turismo internacional é gerado pelo aumento da renda dos brasileiros e o câmbio favorável. A avaliação foi feita pelo chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes. Dados divulgados nesta segunda mostram que são recordes os rombos do mês, acumulado dos sete primeiros meses de 2010 (US$ 5,208 bilhões) e o acumulado em 12 meses até julho. "Na conta de serviços, a conta de viagens internacionais é a que tem maior participação relativa na piora dos números", afirmou Altamir.

O chefe do Departamento Econômico deu como exemplo a piora do resultado de transações correntes nos sete primeiros meses do ano. Segundo ele, comparado ao resultado de igual período de 2009, o rombo das contas externas cresceu US$ 19 bilhões. "Desses US$ 19 bilhões, a conta de serviços e rendas contribuiu com US$ 11,6 bilhões, sendo que a conta de viagens internacionais teve participação de US$ 2,72 bilhões", disse Altamir.

Na conta de viagens, o déficit cresce "pelo crescimento da renda interna e do cambio favorável", cita Altamir. "Você tem dois fatores auxiliando o aumento dos dispêndios no exterior e, no outro lado, a renda externa tem prejudicado o turismo receptivo", cita o chefe do Departamento Econômico do BC, ao lembrar que a economia internacional ainda sofre os efeitos da crise, o que reduz a capacidade do turista internacional de visitar o Brasil.

Segundo dados do BC, de janeiro a julho, as receitas obtidas com turistas internacionais em viagem ao Brasil cresceu 12% na comparação com igual período de 2009. Já as despesas de brasileiros no exterior saltaram 56% na mesma base de comparação.

Altamir destacou também que houve diminuição no saldo de transferências multilaterais sobretudo porque cresceu a remessa de recursos do Brasil para os Estados Unidos. Em julho, as transferências de recursos para o País - de brasileiros para que trabalham em outros países - somou US$ 353 milhões em julho. Ao mesmo tempo, a remessa de estrangeiros no Brasil para seus países de origem totalizou US$ 175 milhões, a cifra mais alta da série. Segundo ele, o montante remetido aumentou porque há mais executivos norte-americanos trabalhando no País e que remetem parte do salário para aquele país. 

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