Déficit da Previdência até abril já superou R$ 15 bilhões

Rombo é 13,9% maior que o registrado no mesmo período de 2008

Isabel Sobral, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

20 de maio de 2009 | 00h00

A Previdência Social acumulou um déficit de R$ 15,2 bilhões de janeiro a abril deste ano, um rombo 13,9% maior do que o registrado no mesmo período de 2008. A elevação do déficit previdenciário decorre do ritmo mais lento de crescimento das receitas, por causa da crise econômica, associado ao aumento de despesas com benefícios, principalmente em razão do reajuste do salário mínimo. Ao anunciar ontem esse resultado, o ministro da Previdência, José Pimentel, disse que em junho o governo deve rever a projeção de déficit para o ano, que é atualmente de R$ 40 bilhões. Pimentel evitou confirmar, mas a projeção será revisada provavelmente para cima. Em 2008, o déficit foi de R$ 36,2 bilhões. "Trabalhamos para que o déficit fique concentrado na área rural, que, por definição, deve ser subsidiado", disse Pimentel. Ele afirmou confiar que o pior momento do mercado de trabalho urbano ficou para trás e que, por isso, pode haver aumento de arrecadação previdenciária nos próximos meses. No início do ano, o freio que a crise mundial impôs às contratações de mão de obra com carteira assinada no País se refletiu nas receitas previdenciárias. Entre dezembro e janeiro, foram eliminados quase 800 mil postos de trabalho - só a partir de fevereiro, lentamente, estão sendo reabertos. Com folhas salariais reduzidas, caem também as contribuições patronais ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).A arrecadação cresceu apenas 5,2% nos quatro primeiros meses deste ano, para R$ 53,8 bilhões, ante igual período de 2008. No ano passado, o crescimento médio mensal era de 10,5%. Pimentel tentou minimizar o efeito negativo da retração do mercado de trabalho, argumentando que as pequenas e microempresas foram menos afetadas pela crise e mantiveram o nível de emprego. "E eles (os pequenos) são responsáveis por 60% das carteiras assinadas do País", comentou o ministro.DESPESAS MAIORESJá as despesas com benefícios cresceram no quadrimestre 7% em relação aos mesmos meses do ano passado, para R$ 69,06 bilhões, por causa do reajuste real dado ao salário mínimo - que, além disso, ocorreu um mês antes do verificado no ano passado.Apenas em abril, o rombo nas contas foi de R$ 3,1 bilhões, 5,1% superior ao verificado em abril de 2008, segundo o Ministério da Previdência. O déficit no mês aumentou, apesar de a arrecadação também ter crescido, para R$ 14 bilhões, e se tornado a segunda melhor marca mensal da história, exceto os meses de dezembro. As despesas em abril foram de R$ 17,1 bilhões. FRASESJosé PimentelMinistro da Previdência"Trabalhamos para que o déficit fique concentrado na área rural, que, por definição, deve ser subsidiado""Eles (os pequenos empresários) são responsáveis por 60% das carteiras assinadas no País" (ao comentar o efeito negativo da retração do mercado de trabalho)

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.