Déficit da Previdência cai com mercado de trabalho forte

O secretário de Políticas de Previdência Social, Helmut Schwarzer, informou hoje que o mercado de trabalho formal aquecido continua impulsionando a arrecadação previdenciária e este é o principal motivo que explica a redução de 16,8% no déficit acumulado nas contas este ano em relação a igual período do ano passado. Apenas em maio, o déficit caiu 22,9% em relação ao mesmo mês de 2007. "É uma queda muito significativa e, em grande parte, explicada pelo mercado formal urbano", comentou o secretário.A arrecadação da Previdência Social cresceu 10,3% de janeiro a maio ante os mesmos meses de 2007, enquanto as despesas aumentaram 3,5% na mesma comparação. Em maio sobre maio do ano passado, as receitas cresceram 3,5% e os gastos subiram apenas 1,8%. Schwarzer destacou que essa equação ajuda as contas previdenciárias e apontou duas hipóteses com que trabalham os técnicos do Ministério da Previdência para explicar o fenômeno.A primeira é a influência positiva na redução das concessões de benefícios por incapacidade, como os auxílios-doença, pagos a trabalhadores que se acidentam ou adoecem e ficam afastados do trabalho por mais de 15 dias. Em maio deste ano, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pagou cerca de 1,3 milhão de auxílios enquanto em maio do ano passado o total de benefícios era de 1,5 milhão."Uma segunda hipótese é que o mercado formal aquecido, ávido por mão-de-obra, dá mais chances de as pessoas que antes passavam muito tempo recebendo auxílio-doença hoje possam se recolocar em atividade", afirmou Schwarzer. PrevisãoSchwarzer disse que mantém o valor de R$ 42 bilhões como sua projeção oficial de déficit para este ano. No entanto, ele reconheceu que "a tendência é de baixa" e é possível que esse número fique ainda mais reduzido. "Acho que podemos corrigir nossas projeções ao longo do ano", comentou.Questionado por que mantinha sua projeção superior à previsão do Ministério do Planejamento, que divulgou uma estimativa de déficit do INSS para 2008 de R$ 38,1 bilhões no seu último relatório trimestral de receitas e despesas orçamentárias, Schwarzer afirmou que prefere ser mais cauteloso. "Eu sou mais conservador do que a equipe econômica", declarou, acrescentando, no entanto, que considera "factível" a projeção dos colegas do Planejamento. Se essas previsões se confirmarem, será a primeira vez em 13 anos que o déficit do INSS cairá em um ano em relação ao ano anterior.

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