Déficit da Previdência chega a R$ 9 bi

A acomodação da economia brasileira já começa a gerar reflexos na arrecadação da Previdência Social. Ainda robusta, a atividade proporciona uma receita elevada ao INSS, mas pela primeira vez este ano houve queda da arrecadação urbana, de onde vem a maior contribuição, em um mês na comparação com o anterior. As receitas das cidades para a aposentadoria somaram R$ 16,715 bilhões em setembro ante R$ 16,995 bilhões em agosto.

Célia Froufe / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2010 | 00h00

A queda de 1,65% é pouco expressiva, mas põe fim na tendência de alta verificada mês a mês desde janeiro, quando a arrecadação somou R$ 14,117 bilhões. De janeiro a setembro, a receita foi de R$ 143,808 bilhões ante R$ 128,461 bilhões do mesmo período de 2009, elevação de 11,9%. "Tivemos queda na arrecadação, mas ela continua consistente", disse o ministro da Previdência, Carlos Eduardo Gabas.

Apenas em setembro, o déficit da Previdência foi de R$ 9,191 bilhões, o pior resultado do ano. O valor é resultado de R$ 17,127 bilhões em arrecadação (incluindo a área rural) e de R$ 26,318 bilhões de pagamentos de benefícios. Em setembro de 2009, a conta ficou negativa em R$ 9,602 bilhões, valor já corrigido pela inflação. O resultado dos meses de setembro tem apresentado um rombo maior por causa da antecipação do pagamento da primeira parcela do 13.º salário a aposentados.

O adiantamento foi de R$ 6,8 bilhões no mês passado, mais de dois terços do déficit do período. Em agosto, quando começaram os pagamentos, foram gastos R$ 2,2 bilhões - mais do que previsto inicialmente (R$ 1,8 bilhão). Nova pressão sobre as contas deve vir em novembro e dezembro, com a segunda parcela.

Aposentadoria. Neste ano, até setembro, a necessidade de financiamento da Previdência já atinge R$ 40,132 bilhões, 2% menos que no mesmo período de 2009: R$ 40,954 bilhões. A projeção de Gabas para 2010 é de um rombo de R$ 44,5 bilhões. "Caiu de novo", comentou Gabas, que projetava saldo negativo de R$ 45 bilhões a R$ 46 bilhões.

O déficit, porém, pode ser ampliado ainda este ano para perto de R$ 46 bilhões, caso o governo decida pagar logo aos 154 mil aposentados que terão direito a um novo teto, por causa de decisão do Supremo Tribunal Federal.

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