Déficit da Previdência cresce 1,2% no 1º semestre e soma R$ 22,8 bilhões

Em junho, saldo negativo atingiu R$ 2,7 bilhões, alta de 7,4% na comparação com maio

Célia Froufe, da Agência Estado,

22 de julho de 2010 | 10h22

A Previdência Social registrou um déficit de R$ 22,832 bilhões no primeiro semestre de 2010, um ligeiro crescimento de 1,2% na comparação com a primeira metade de 2009 - quando o saldo ficou negativo em R$ 22,572 bilhões.

De janeiro a junho deste ano, a Previdência arrecadou R$ 95,477 bilhões, mas teve despesas no valor de R$ 118,309 bilhões no período. Os valores acumulados são corrigidos pelo INPC. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 22, pelo Ministério da Previdência Social.

A arrecadação cresceu 10% em relação aos seis primeiros meses do ano passado, quando somou R$ 86,822 bilhões, e o pagamento de benefícios previdenciários avançou 8,1% no mesmo período. No primeiro semestre de 2009, esses despesas somaram R$ 109,394 bilhões.

A Previdência Social registrou um déficit de R$ 2,778 bilhões em junho. O valor é resultado de uma arrecadação líquida de R$ 16,580 bilhões e uma despesa com pagamentos de benefícios previdenciários de R$ 19,358 bilhões. Em junho de 2009, o déficit da Previdência havia sido de R$ 3,542 bilhões e, em maio deste ano, o saldo ficou negativo em R$ 2,586 bilhões. Todos os valores anteriores a junho também são corrigidos pelo INPC.

O déficit da Previdência registrou um aumento de 7,4% na comparação de junho com maio, mas uma queda de 21,6% em relação ao resultado do mesmo período do ano passado.

Rombo deve aumentar, prevê Gabas

O déficit previdenciário do segundo semestre do ano deve ser ainda maior do que o verificado na primeira metade, de R$ 22,832 bilhões. Essa hipótese foi formulada a partir da projeção do ministro da Previdência, Carlos Eduardo Gabas, de que a necessidade de financiamento fique em R$ 47 bilhões em 2010, o que representaria um saldo negativo próximo a R$ 24 bilhões de julho a dezembro. A concentração dos pagamentos reajustados aos aposentados, de 7,72%, no segundo semestre ajuda a explicar o rombo maior das contas no período em relação aos primeiros seis meses do ano, segundo Gabas.

Necessidade de financiamento não deve passar de R$ 50 bi

De qualquer forma, segundo ele, a necessidade de financiamento este ano deve ficar próxima dos R$ 47 bilhões. "Certamente não passará de R$ 50 bilhões", comentou. "Não vai passar dos R$ 47 bilhões se a economia continuar respondendo. Apesar do Copom...", alfinetou o ministro, negando-se a fazer um comentário mais detalhado sobre a decisão do Banco Central de aumentar a taxa básica de juros em 0,50 ponto porcentual, para 10,75% ao ano.

O que tem ajudado nas contas, de acordo com Gabas, é a melhora generalizada da economia. De janeiro a junho, o saldo do resultado primário da previdência urbana está negativo em R$ 1,539 bilhões. O volume, no entanto, é 51% inferior ao verificado na primeira metade de 2009, quando a necessidade de financiamento era de R$ 3,134 bilhões. "A melhora não é só proveniente dos empregos formais. Quando a saúde das empresas está melhor, elas pagam suas contribuições de previdência e, quando há recessão, deixam de pagar", comentou.

Planejamento

Sobre a projeção do Ministério do Planejamento para o déficit da Previdência este ano, Gabas foi econômico com as palavras e disse apenas que a Pasta já estaria considerando a continuidade dos efeitos positivos da economia sobre a arrecadação. Em relatório bimestral divulgado na terça-feira sobre o terceiro trimestre do ano, o Planejamento reduziu em R$ 1,6 bilhão o déficit previsto para a Previdência, que passou a ser de R$ 45,7 bilhões.

Texto atualizado às 14h para acréscimo de informações

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