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Déficit da Previdência nos Estados somou R$ 77,8 bi em 2017, diz Firjan

Estudo revela que apenas quatro Estados registravam superávit na Previdência no mesmo ano

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2019 | 19h48
Atualizado 11 de abril de 2019 | 22h10

RIO - O déficit da Previdência pública dos governos estaduais, incluindo a aposentadoria dos três Poderes, foi de R$ 77,8 bilhões em 2017, segundo estudo da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) divulgado nesta quinta-feira, 11. São Paulo registrou o maior rombo em 2017, com déficit de R$ 18 bilhões, mas os saldos negativos do Rio Grande do Sul, do Distrito Federal e do Rio de Janeiro chamam mais atenção quando ponderados pelo tamanho da população. O presidente da Firjan, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, aproveitou a divulgação dos dados para defender a reforma da Previdência.

“A conta vai ser paga por todos nós e sem capacidade futura de essa conta melhorar. Gostaria que os congressistas se debruçassem sobre esse quadro”, disse Gouvêa Vieira, no Rio.

O estudo revela que apenas quatro Estados registravam superávit na Previdência em 2017: Amapá, Roraima, Rondônia e Tocantins. Todos os 23 demais registraram déficits. Atrás de São Paulo, o Rio Grande do Sul teve o segundo maior déficit, com R$ 11,1 bilhões. Rio de Janeiro, com R$ 10,6 bilhões, e Minas Gerais, com R$ 8,2 bilhões, completam a lista dos maiores rombos.

De acordo com o gerente de Estudos Econômicos da Firjan, Jonathas Goulart, embora seja o maior do País, o rombo de São Paulo preocupa menos porque o Estado é o mais rico e, por isso, tem a maior receita tributária entre os governos locais. O custo do rombo da Previdência do Rio Grande do Sul em 2017 foi de R$ 1.038 por habitante.

“É como se cada habitante estivesse pagando essa conta sem saber, porque esse financiamento está embutido no ICMS”, afirmou Goulart.

Comparativamente, embora o rombo bilionário de São Paulo seja maior, o custo anual por habitante é de R$ 436, menos da metade do custo do Rio Grande do Sul. No Distrito Federal, o custo anual do rombo foi de R$ 887 por habitante em 2017 e, no Rio, foi de R$ 663.

Segundo Goulart, a opção por cobrir os rombos com recursos orçamentários dos tesouros estaduais é “socialmente injusta”, pois a conta acaba sendo paga por todos os cidadãos, independentemente do nível de renda.

Nesse quadro, o presidente Gouvêa Vieira defendeu a proposta de reforma previdenciária enviada ao Congresso Nacional pelo governo Jair Bolsonaro. Para o dirigente empresarial, quanto mais robusta a reforma, melhor será.

“Quanto mais perto de R$ 1,1 trilhão (de impacto fiscal ao longo de dez anos, como estimado para a reforma proposta), será melhor para o desenvolvimento da nação”, afirmou Gouvêa Vieira.

Gouvêa Vieira exortou os parlamentares a aprovarem a reforma, embora tenha reconhecido que “nada é simples numa democracia”. “Estamos aqui para chamar a atenção dos congressistas, para eles se imbuírem de uma certa dose de estadistas”, afirmou o presidente da Firjan.

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