Déficit de US$ 6,8 bilhões em novembro é recorde

A falta de solução para os problemas financeiros globais contamina cada vez mais o Brasil. Com economias em recessão pelo mundo e multinacionais em apuros, diminui a entrada de dólares pelas exportações e disparam as remessas de lucros e dividendos.

O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2011 | 03h07

O Brasil amargou em novembro o pior resultado das contas externas da história: déficit de US$ 6,8 bilhões. Apesar da má notícia, a oferta de crédito internacional segue aberta para o Brasil, com empréstimos crescentes e aumento do financiamento às exportações.

Segundo relatório do Banco Central, cresce o alcance da crise. Um dos canais de contaminação mais evidentes são as remessas de lucros de multinacionais no Brasil. No mês passado, essas companhias enviaram US$ 4,2 bilhões às sedes, maior valor registrado em novembro desde 1947.

Outro sinal vem do comércio exterior. A entrada de dólares gerada pelas exportações somou US$ 583 milhões, pior resultado desde janeiro. Dezembro deve ser pior: o BC prevê rombo de US$ 7,1 bilhões nas transações correntes do País com o resto do mundo. Boa parte é explicada pelo envio de remessas, que devem fechar o mês em US$ 4,6 bilhões.

O chefe do departamento econômico do BC, Túlio Maciel, nega que os números sejam resultado só da crise. Para ele, ainda não é possível afirmar que o envio de lucros, por exemplo, está em nova tendência. Sobre o comércio exterior, diz que problemas no processamento das exportações prejudicaram os números nas últimas semanas.

Um dos argumentos é o de que o ingresso da moeda continua se dando por outros caminhos. Maciel dá como exemplo a entrada de US$ 4,1 bilhões em Investimento Estrangeiro Direto em novembro. É um dinheiro destinado ao setor produtivo. / A.F. e F.N.

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