Déficit deve levar investidor a repensar aplicações no País

O déficit em contas correntes voltou a mostrar resultados bastante negativos em agosto ao ter registrado déficit de US$2,9 bilhões. Apesar de significativamente abaixo do déficit registrado em julho (US$4,5 bilhões), o resultado de agosto consolidou uma sequência de déficits muito elevados que têm sido registrados desde o fim da crise financeira de 2008/2009. No acumulado de 12 meses, o déficit em contas correntes atingiu US$45,8 bilhões, ou 2,3% do PIB. O declínio do superávit comercial e o aumento das remessas de lucros e dividendos vêm explicando a deterioração acelerada das contas externas brasileiras. Ambos os fatores são explicados pelo ritmo de atividade mais acelerado no Brasil do que no exterior, que tanto implica em maiores importações quanto em lucros maiores das multinacionais, que nestes anos de vacas mais magras enviam o máximo que podem para suas matrizes aproveitando o real muito valorizado.

Análise: Dany Rappaport, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2010 | 00h00

O déficit em transações correntes crescente vem fazendo com que o Brasil fique cada vez mais dependente do fluxo de capitais para portfólio (investimento financeiro). Isto porque os investimentos estrangeiros diretos (em produção), apesar de em patamar elevado (US$2,4 bilhões em agosto), têm sido insuficientes para cobrir a conta negativa. Adicionalmente, muitas empresas brasileiras têm investido no exterior, o que acaba diminuindo a relevância desta conta para a cobertura das necessidades de recursos externos. Já os investimentos em portfólio de médio e longo prazo subiram para US$4,5 bilhões em agosto, com os investidores internacionais muito interessados em investir tanto em renda fixa quanto em ações brasileiras.

Há pouco que o governo possa fazer neste momento para conter esta deterioração das contas externas. Apesar das massivas compras de dólar no mercado à vista, o real continua se fortalecendo com o bom humor para os emergentes e o mau humor para os EUA e Europa. No entanto, dificilmente veremos fluxos para portfólio tão acentuados no ano que vem. Assim, o déficit em contas correntes crescente deverá levar o investidor a pensar duas vezes quanto às perspectivas para o real a médio e longo prazo e poderá significar uma gradual depreciação do real no decorrer do ano, principalmente passada a operação de Petrobrás, que certamente trará recursos estrangeiros elevados para o Brasil nestas semanas.

É SÓCIO DA INVESTPORT CONSULTORIA E GESTÃO DE RECURSOS

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