Fábio Motta/Estadão
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Déficit dos fundos de pensão deve fechar 2015 pouco acima de R$ 70 bi

Segundo a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar, até novembro o déficit mais que dobrou em relação a 2014

Cynthia Decloedt, O Estado de S. Paulo

15 de março de 2016 | 13h55

SÃO PAULO - Os ativos dos fundos de pensão somaram R$ 732,5 bilhões até novembro de 2015, alcançando rentabilidade de 216% no acumulado em 10 anos, contra meta atuarial de 213%, informou a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp). O diretor-presidente da associação, José Ribeiro Pena Neto, previu que no consolidado do ano, o déficit das entidades com desempenho negativo possa superar os R$ 70 bilhões. Até novembro, o déficit mais que dobrou em relação a 2014, para R$ 64,9 bilhões. "O déficit é conjuntural, não é produto de má gestão", afirmou, em  entrevista coletiva para apresentação dos números, em São Paulo.

Neto destacou que boa parte do déficit está nos grandes fundos de pensão, que sofreram com aumento inesperado de passivo devido às demandas judiciais. De modo geral, ele explicou que parte do déficit está relacionado também às premissas de evolução futura, o que fez com que o passivo dos fundos se elevasse, em função, por exemplo, do aumento da longevidade. De acordo com ele, os fundos estão bem avaliados do ponto de vista de passivo.

Neto mencionou ainda que as taxas de desconto, que trazem os compromissos do futuro para presente, também fizeram crescer o passivo.

O diretor-presidente da Abrapp disse ainda que o desempenho da economia também prejudicou a performance esperada nos investimentos em renda variável, enquanto os investimentos em renda fixa foram atingidos pela marcação a mercado nos preços dos ativos. "Os fundos de pensão nos últimos anos tiveram o desafio de desempenhar acima da meta atuarial em função do passivo e enfrentar, ao mesmo tempo, a volatilidade dos mercados e as dificuldades da economia", disse.

Um dos fundos de pensão que deve apresentar déficit elevado é o Petros, dos trabalhadores da Petrobrás. A estatal pode ser cobrada em R$ 1,7 bilhão para suprir o déficit técnico do fundo. Estudo interno do Petros indica que a diferença entre o modelo de família adotado no cálculo dos benefícios desde a criação do fundo, há 45 anos, e o perfil real das famílias dos petroleiros gerou um rombo de R$ 4,9 bilhões – parte dele, de responsabilidade da patrocinadora, a Petrobrás. Em 2015, o rombo nas contas do fundo pode ultrapassar os R$ 20 bilhões

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