Déficit em conta corrente cai rapidamente, diz Fraga

O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse que o déficit de conta corrente do Brasil está caindo rapidamente e deverá ficar neste ano abaixo de US$ 13 bilhões, com certeza, e talvez o número final fique ao redor de US$ 12 bilhões. Ele estimou que o superávit da balança comercial deverá ficar acima de US$ 10 bilhões neste ano. "A forte redução no crédito, causada pela situação da economia global e também por conta da noss própria situação, causou uma forte depreciação do câmbio, mas gerou também um forte ajuste na balança comercial", disse Fraga, durante apresentação feita a convite do Federal Reserve de Nova York em jantar promovido, ontem à noite, pelo Money Marketeers, grupo ligado à New York University (NYU). O presidente do BC ressaltou para a platéia de gestores de fundos de renda fixa e analistas de que os números do balanço de pagamentos brasileiro, que tem sido uma preocupação para a comunidade internacional, são "perfeitamente administráveis", especialmente se o próximo governo assinar o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que resultou num empréstimo de US$ 30 bilhões em agosto deste ano. "Espero totalmente que o acordo seja assinado, independentemente de quem vença as eleições", ressaltou Fraga. Segundo ele, o Brasil tem hoje cerca de US$ 36 bilhões em reservas internacionais e, com o acordo, essas reservas sobem para aproximadamente US$ 65 bilhões. Por outro lado, o governo brasileiro terá compromissos externos, entre amortizações e pagamento de juros, de cerca de US$ 9 bilhões em 2003. Em relação à dívida pública doméstica, Fraga enfatizou para a platéia que, embora tenha havido uma elevação na relação dívida/PIB do País, não se deve esperar que essa seja uma direção ou tendência que continue indefinidamente. "Desde 1999, colocamos em prática um grande ajuste fiscal", afirmou Fraga, salientando que o superávit primário será um pouco abaixo de 4% do PIB neste ano. "E a taxa de câmbio não continuará se depreciando para sempre, especialmente em termos reais. Portanto, há ´overshooting´ exagerado na cotação do câmbio e, na medida em que o governo faça a sua parte, poderemos ver uma apreciação do câmbio", declarou o presidente do BC. Neste cenário, explicou ele, se for mantida uma política fiscal sólida, com a manutenção das metas de superávit primário, a relação dívida/PIB do País deverá começar a cair. Próximo presidente fará as escolhas certas para a economia brasileiraArmínio Fraga disse estar confiante de que o próximo presidente fará as escolhas certas para a economia brasileira. Fraga referiu-se especialmente à assinatura do acordo com o FMI. "Diante do ambiente global em que atravessamos, esses recursos representam uma proteção importante, uma apólice de seguro que temos à nossa disposição. E com esses recursos, teremos bastante tempo para convencer, primeiro a nós mesmos no Brasil e depois o resto do mundo, que vamos manter políticas econômicas saudáveis", afirmou. "A escolha é óbvia e os candidatos às eleições presidenciais já demostraram o apoio ao acordo", ressaltou Fraga. Ele explicou que a crise de confiança que afeta o mercado financeiro brasileiro é decorrente do ambiente da economia global e também das "incertezas naturais depois de quase dez anos de liderança conhecida e forte que representou Fernando Henrique Cardoso", se for levado em conta não só o seu governo de oito anos, mas também um ano e meio à frente do Ministério da Fazenda. "De fato estamos sob muita pressão, mas a saída está nas nossas mãos", disse. "Em cada conversa que tenho com os candidatos e seus principais assessores, fico convencido de que eles são pessoas razoáveis e que entendem o que está acontecendo. E eles estão muito preocupados com a situação. Não há nada mais importante para o Brasil do que ter a combinação, independentemente de quem vença, de entendimento e medo", afirmou Fraga."O BC e o governo estão prontos para cooperar para a transição"Ao ser indadagado se poderia ficar no cargo até que o nome do novo presidente do Banco Central seja aprovado pelo Congresso, o que somente poderá acontecer em março, Armínio Fraga disse que "essa questão é algo que precisa ainda ser discutida". Segundo ele, o governo como um todo, e também o Banco Central, estão prontos para cooperar para a transição. "Não acho que isso seria um problema absolutamente", afirmou Fraga. ?Não tenho um mandato fixo, portanto podem me pedir para sair, mas não há nenhum razão para se preocupar em ter uma equipe profissional comandando o Banco Central". "No entanto, estaremos perfeitamente felizes em cooperar numa transição, que precisa ainda ser discutida. Mas não há nenhum problema com isso, que é uma questão que deve ser vista no contexto como o presidente Fernando Henrique Cardoso determinou: será a transição mais organizada que teremos na nossa história. Todos estão trabalhando bastante em todas as áreas e nós pretendemos fazer a nossa parte". Hoje, sexta-feira, Fraga informou que não terá eventos públicos e que não pretende falar com a imprensa. "Estarei em reuniões e também em contato com o BC no Brasil", informou.

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