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Déficit em conta corrente divide analistas

Para Bresser-Pereira, idéia de o Brasil voltar a endividar-se é ''''escandalosa''''

O Estadao de S.Paulo

29 de setembro de 2007 | 00h00

Para o ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira, ''''a idéia de que o Brasil volte a ter déficit em conta corrente e a endividar-se é escandalosa''''. Bresser é um duro crítico do modelo de desenvolvimento baseado na poupança externa, e defende a combinação de políticas para superá-lo que envolve a tributação da exportação de commodities e até o uso temporário de controles de capital na entrada.Para ele, nas últimas décadas, com exceção do período do milagre econômico, entre 1968 e 1973, sempre que o Brasil recorreu à poupança externa, esta acabou substituindo a poupança interna, em vez de aumentar o total de poupança e investimento. Dessa forma, os fluxos de dólares que entravam no País valorizavam o câmbio, aumentavam os salários reais, levavam a ondas de consumo, mas não tinham nenhum efeito na taxa de investimento.O economista Antônio Corrêa de Lacerda, consultor e professor da PUC-SP, é favorável a que o Banco Central volte a comprar dólares e o governo persiga de forma mais decidida o objetivo de levar a taxas de juros para níveis próximos à média internacional (para estancar os fluxos de capital especulativo que valorizam o real).Já Alexandre Schwartsman, economista-chefe do ABN Amro para a América Latina, acha que a redução do superávit em conta corrente e a sua eventual eliminação não representam um problema para o País. Ele nota que, em 2002, a dívida externa bruta brasileira (governo e setor privado) era três vezes maior que as exportações anuais, e a dívida líquida era 2,5 vezes.Em julho de 2007, aquela relação já havia caído para 1,1, no caso da dívida líquida, e 0,2, no caso da bruta. ''''Um país com dívida alta precisa gerar superávit em conta corrente, mas num país pouco endividado a taxa de câmbio é outra muito diferente, e é isso que estamos vendo no Brasil'''', diz Schwartsman.Edward Amadeo, economista da Gávea Investimentos, considera bom que o Brasil evite grandes déficits em conta corrente, que deixam o País mais sensível a choques externos, mas não vê problemas em um pequeno déficit. Amadeo frisa que o importante é que o Brasil aumente simultaneamente as exportações e as importações, independentemente de haver pequenos saldos negativos ou positivos na conta corrente. Defendendo a redução das tarifas, ele diz que a abertura da economia leva o País a se especializar mais, ganhando escala nos setores exportadores competitivos, que também são impulsionados pela possibilidade de importar máquinas e equipamentos mais modernos e baratos.

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