Déficit em conta corrente do Brasil é natural, diz Meirelles

Para presidente do BC, mudança é normal num regime de câmbio flutuante

Lu Aiko Otta, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2007 | 00h00

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, classificou de "natural dentro de um regime de câmbio flutuante" a virada nas projeções do saldo da conta de operações do Brasil com o exterior em 2008. Segundo divulgou anteontem o Banco Central, a estimativa passou de um superávit de US$ 3,2 bilhões para um déficit de US$ 3,5 bilhões na conta corrente. Será a primeira vez em cinco anos que o saldo ficará negativo."Temos claramente uma economia que tem condições de olhar com tranqüilidade para esse tipo de evento de conta corrente", disse ele durante reunião na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.Meirelles procurou, também, mostrar que o Brasil está menos vulnerável a choques externos e, portanto, mais protegido contra os efeitos de uma eventual recessão nos Estados Unidos.Segundo o presidente do Banco Central, o saldo de conta corrente ficará negativo no ano que vem porque o processo de crescimento da economia brasileira fez aumentar a demanda por máquinas e equipamentos importados. Além disso, o País vem recebendo grande volume de investimentos estrangeiros diretos - o que, no futuro, gera pagamento de lucros e dividendos ao exterior."O importante é que existe investimento maior hoje na economia brasileira feita pelos estrangeiros", comentou Meirelles. Ele acrescentou que, no passado recente, foi importante para o Brasil manter saldos positivos em conta corrente. Essa política propiciou a "reversão estrutural do setor externo" e ajudou a fortalecer a credibilidade do País no exterior. "A partir de certo momento, não é necessário que sempre tenhamos saldos positivos, principalmente pelo volume de ingressos de capitais no Brasil."IMPACTO MENORUm eventual agravamento da crise financeira internacional terá, sobre o País, reflexos menores do que no passado, disse o presidente do Banco Central. Em primeiro lugar, porque o peso dos Estados Unidos como destino das exportações brasileiras é relativamente pequeno. Eles absorvem atualmente 15,6% dos produtos brasileiros vendidos no exterior, enquanto a América Latina recebe 22,6% e a União Européia, 24,9%. Meirelles admitiu que uma recessão nos Estados Unidos pode afetar os demais mercados das exportações brasileiras, mas avaliou que o efeito será pequeno.Além disso, o Brasil depende hoje menos das exportações para continuar crescendo. O fortalecimento do mercado interno, impulsionado pela queda dos juros e pelo aumento da renda média do brasileiro, garante solidez à economia. Outro fator de segurança é o nível elevado das reservas internacionais.A consistência da política econômica fez também com que os investidores internacionais "descolassem" o Brasil das demais economias. Ele mostrou um gráfico comparando a taxa de risco do País com o Índice de Aversão de Risco, calculada sobre os demais países. Nele, fica claro que o risco atribuído ao Brasil é muito menor.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.