Déficit em conta corrente é o esperado, diz BC

De acordo com o Banco Central, o déficit em transações correntes do mês de junho, de US$ 4,419 bilhões, veio em linha com o esperado banco, com destaque para a redução das despesas com viagens internacionais e queda na remessa de lucros e dividendos por parte das empresas multinacionais instaladas no Brasil. Para junho, o BC previa déficit de US$ 4,5 bilhões. "Tivemos ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) mais que suficiente para cobrir o déficit em transações correntes", disse o chefe-adjunto do departamento econômico do BC, Fernando Rocha, ao comentar que US$ 5,822 bilhões ingressaram como IED, mais que suficiente para cobrir a saída de US$ 4,4 bilhões em transações correntes.

EDUARDO CUCOLO E FERNANDO NAKAGAWA, Agencia Estado

24 de julho de 2012 | 12h04

Entre os aspectos para a redução observada do déficit em transações correntes, Rocha chamou atenção para o movimento do câmbio e seu reflexo nas contas. "O câmbio tem impacto diferenciado conforme o item, mas é decisivo em viagens internacionais", disse, ao lembrar que o dólar estava em R$ 1,71 em fevereiro e superou R$ 2 nas últimas semanas. "Em viagens, teremos uma estabilidade ou redução despesas nas viagens nos próximos meses. O câmbio é decisivo na tomada de decisão para gastar no exterior ou nas viagens de estrangeiros no Brasil".

Outro aspecto que colabora para a redução dos déficits em transações correntes é a desaceleração da economia, o que reduz a lucratividade das empresas e, consequentemente, a remessa de lucros e dividendos das multinacionais instaladas no Brasil. "A depreciação do câmbio também reduz a quantidade de dólares enviados para o exterior com a mesma quantidade de reais", disse.

Expectativas - Rocha disse ainda que a instituição projeta déficit em conta corrente de US$ 4,5 bilhões em julho. Segundo o chefe-adjunto do departamento econômico do BC, haverá melhora no resultado da balança comercial, além de queda nas remessas de lucros e dividendos e também dos gastos com viagens internacionais. Por outro lado, os gastos com juros devem ter aumento sazonal em julho.

Ele afirmou ainda que as remessas de lucros e dividendos devem manter, no segundo semestre, a trajetória de queda registrada nos primeiros seis meses do ano na comparação com igual período de 2011. Dados preliminares mostram que US$ 948 milhões foram transferidos por empresas multinacionais instaladas no Brasil neste mês até o dia 20. "Ou seja, a tendência vista nos últimos meses continua", disse Rocha.

Para julho, o banco projeta ingresso de US$ 7 bilhões em IED. De acordo com Rocha, até dia 20 já entraram no País US$ 6,3 bilhões. Rocha mantém uma avaliação positiva sobre o financiamento das contas externas brasileiras. Para ele, não será surpresa se o déficit em transações correntes continuar sendo financiado integralmente pela entrada de investimento produtivo. "Não é de se estranhar que os dados possam continuar nessa trajetória no 2º semestre", disse, ao lembrar que a entrada IED superou o déficit em transações em junho de 2012, no primeiro semestre deste ano e também nos últimos 12 meses.

Rocha também anunciou que o gasto líquido com juro soma US$ 1,412 bilhão em julho também até o dia 20. O valor é bem maior que os US$ 681 milhões registrados em junho. "O número maior de julho está dentro do previsto, já que há um movimento sazonal com aumento de gasto com juro em janeiro e julho", disse.

Dívida externa - A dívida externa brasileira alcançou US$ 302,821 bilhões em junho, segundo estimativa do Banco Central divulgada nesta terça-feira. Desse montante, a maior parte das obrigações brasileiras é de longo prazo, segmento que concentra um valor de US$ 266,543 bilhões. Já os pagamentos de curto prazo alcançam um montante de US$ 36,277 bilhões. A dívida externa estimada para junho é maior que a última posição fechada da dívida externa, referente a março, quando o montante estava em US$ 301,176 bilhões.

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