Déficit em conta corrente é transitório, diz ministro

Um dia depois de o Banco Central (BC) divulgar o pior resultado das contas externas desde 1947, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou ontem que o déficit na conta corrente - que registra todas as operações de comércio, serviços e rendas do Brasil com o exterior - é "transitório" e deve começar a se reverter a partir de 2012, quando o comércio internacional estará mais aquecido com a recuperação econômica da Europa e dos EUA.

Adriana Fernandes, Eduardo Rodrigues / Brasília, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2010 | 00h00

Mantega aposta no crescimento das vendas de commodities - principalmente de alimentos - para impulsionar as exportações brasileiras, o que deve favorecer a melhora das contas externas. Em resposta aos críticos de que a dependência da balança comercial da venda de commodities, em detrimento aos produtos industrializados, é negativa para a sustentabilidade do crescimento da economia, o ministro defendeu o avanço do Brasil nesse mercado.

"Houve uma reviravolta na última década e a venda de commodities passou a apropriar muito valor para as exportações", disse Mantega. Segundo ele, o Brasil é um dos "campeões" em commodities e a previsão é de que será um dos países que mais crescerá as suas exportações de produtos básicos até 2020. "O negócio de commodities será rentável nos próximos 15 a 20 anos", disse, citando previsões da FAO, Organizações das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação.

IPOs. Mantega previu ainda que as contas externas devem melhorar com a entrada de dólares de investidores que vão participar de operações de lançamento de ações, como a da Petrobrás. Com isso, disse, o déficit na conta corrente, previsto para fechar o ano entre US$ 45 bilhões e US$ 48 bilhões, pode cair. "O que está faltando nessa conta são os IPOs (ofertas iniciais de ações), os aumentos de capital que podem acontecer até o final do ano e que deverão trazer mais dólares para o Brasil", disse.

Mantega destacou que, apesar do aumento do déficit, a vulnerabilidade externa do País é a menor da sua história. Isso ocorre, segundo ele, por causa do aumento crescente das reservas internacionais e a redução do endividamento externo. ''Aí é que está toda a diferença. No passado, tínhamos um déficit em transações corrente igual ou maior do que este, mas em compensação uma dívida externa muito maior, com menos reservas", disse.

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