Déficit em conta corrente mais do que triplica no 1º semestre

Transações correntes acumulam saldo negativo de US$ 23,7 bilhões nos seis primeiros meses de 2010, ante déficit de US$ 7,1 bilhões no mesmo período de 2009

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

26 de julho de 2010 | 10h46

A conta corrente do balanço de pagamentos registrou no acumulado dos seis primeiros meses de 2010 um déficit de US$ 23,762 bilhões (2,47% do PIB), uma alta de cerca de 234% em relação ao mesmo período de 2009, quando as transações tiveram déficit de US$ 7,177 bilhões.

O saldo negativo do primeiro semestre de 2010 é comparável ao déficit de todo o ano de 2009, que somou US$ 24,302 bilhões. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, disse nesta segunda-feira, 26, que o déficit foi o maior para o primeiro semestre da série. Também outra marca foi atingida no resultado acumulado em 12 meses (déficit de US$ 40,887 bilhões), outro novo recorde histórico.

Em junho, a conta corrente registrou déficit de US$ 5,180 bilhões, o pior resultados para os meses de junho desde o início da série histórica, em 1947. Se forem levados em conta todos os meses e não apenas junho, o resultado do mês passado foi o segundo pior da série. Até agora, o pior resultado mensal foi registrado em dezembro de 2009, quando o saldo ficou negativo em US$ 5,950 bilhões.

Além desses recordes, o chefe do Departamento Econômico informou que, se forem levados em conta todos os meses e não apenas junho, o resultado do mês passado foi o segundo pior da série histórica iniciada em 1947. Até agora, o pior resultado mensal foi registrado em dezembro de 2009, quando o saldo ficou negativo em US$ 5,950 bilhões.

Altamir ponderou, no entanto, que os recordes dizem respeito apenas às marcas nominais, em dólares. Ele observou que o déficit em conta corrente nos 12 meses encerrados em junho equivale atualmente a 2,13% do PIB. Essa marca é menor do que a observada nos 12 meses encerrados em setembro de 2002, quando ficou em 2,57% do PIB. No acumulado em 12 meses até junho, o Brasil registra déficit de US$ 40,887 bilhões, o equivalente a 2,13% do PIB. 

Segundo Lopes, a conta corrente do balanço de pagamentos deve ter, em julho, déficit de US$ 3,7 bilhões. Altamir lembrou que há, neste ano, uma aceleração do déficit externo, em função da maior atividade econômica e do aumento da renda da população, que acabam gerando maiores importações de bens e serviços e também de maior volume de viagens internacionais.

Segundo Altamir, no resultado de junho, cujo déficit foi de US$ 5,180 bilhões, o fator determinante foi o aumento nas remessas de lucros e dividendos. Ele segue com a projeção de déficit de US$ 49 bilhões para o ano, mas ressaltou que esse número é financiável pelo IED, pelos investimentos em carteira e pela taxa de rolagem elevada.

Na avaliação do BC, o resultado do mês passado foi determinado pela conta de serviços e rendas, que amargo déficit de US$ 7,601 bilhões. O valor foi parcialmente compensado pelo saldo positivo de US$ 2,277 bilhões da balança comercial e por US$ 144 milhões em transferências unilaterais positivas para o País.

Dívida externa sobe para US$ 225 bilhões

A dívida externa brasileira subiu em junho para US$ 225,172 bilhões. Em maio, o BC estimava a dívida brasileira com o exterior em US$ 218,329 bilhões. Em março, último dado fechado pela autoridade monetária, a dívida externa somou US$ 211,532 bilhões.

Em junho, a dívida de curto prazo foi de US$ 42,170 bilhões, ante US$ 37,359 bilhões em maio. Já a dívida de médio e longo prazos atingiu no mês passado US$ 183,002 bilhões, ante US$ 180,971 bilhões em maio.

Remessas de lucros e dividendos somam US$ 4,1 bilhões

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, anunciou há pouco que a remessa de lucros e dividendos já soma US$ 1,672 bilhão em julho, conforme levantamento preliminar com dados até esta segunda-feira, dia 26. Altamir também declarou que o pagamento preliminar de juros no exterior soma US$ 1,273 bilhão no acumulado do mês até hoje.

Durante a entrevista, Altamir esclareceu a informação dada no início sobre os setores que mais responderam pelo retorno de Investimento Estrangeiro Direto (IED). Ele explicou que o segmento imobiliário e de seguros foram os que mais realizaram retorno de investimento ao exterior em junho. O ramo automotivo não liderou as transferências, como Altamir havia citado no início da entrevista.

As remessas de lucros e dividendos somaram em junho US$ 4,156 bilhões, de acordo o BC. Em junho do ano passado, essa conta registrou saída líquida de US$ 3,028 bilhões.

No acumulado de janeiro a junho, as remessas somam US$ 14,967 bilhões, montante 37,8% maior do que o verificado no mesmo período de 2009.

Os gastos com juros no mês passado somaram US$ 728 milhões, ante US$ 551 milhões de junho do ano passado.

Nos primeiros seis meses de 2010, a conta de juros registra despesas de US$ 4,687 bilhões, montante 14,06% maior do que os US$ 4,109 bilhões de janeiro a junho de 2009.

Taxa de rolagem

A taxa de rolagem dos empréstimos de médio e longo prazos ficou em 109% em junho. Em junho do ano passado, esse indicador ficou em 218%. A rolagem de bônus, notes e commercial papers foi de 50% no mês passado (de 291% em junho de 2009), enquanto a de empréstimos diretos foi de 199% (ante 106% em junho de 2009).

No primeiro semestre de 2010, a taxa de rolagem é de 222%, ante 77% no período de janeiro a junho de 2009. A taxa de bônus, notes e commercial papers no ano é de 205% (ante 86% nos seis primeiros meses de 2009) e a de empréstimos diretos, de 270% (ante 58% no primeiro semestre do ano passado).

Texto atualizado às 13h36

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