Déficit em conta corrente sobe para US$ 1,738 bi em maio

Resultado é pior que o registrado no mesmo mês de 2008 e foi compensado pela entrada de capital estrangeiro

Adriana Fernandes e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

24 de junho de 2009 | 10h48

A conta de transações correntes do balanço de pagamentos do Brasil com o exterior apresentou déficit de US$ 1,738 bilhão em maio. O resultado é superior ao registrado em maio do ano passado, quando o déficit em transações correntes foi de US$ 786 milhões. E ficou abaixo da estimativa dada pelo BC em abril, de US$ 2,3 bilhões de déficit.

 

A balança de transações correntes é formada pela balança comercial (exportações menos importações), a balança de serviços (fretes pagos e recebidos de navios estrangeiros, juros de empréstimos estrangeiros, lucros remetidos e recebidos do exterior, etc.) e as transferências unilaterais (donativos). Se este resultado é negativo, isso significa que o País está utilizando poupança externa.

 

Essa necessidade de financiamento foi suprida em maio pela conta financeira, que registra os empréstimos tomados por empresas do País e os investimentos feitos no Brasil e, junto, com a balança de transações correntes, compõe o balanço de pagamentos brasileiro.

 

Em maio, o balanço de pagamentos registrou superávit de US$ 3,7 bilhões, com o resultado da conta financeira em US$ 5,4 bilhões, destacando-se os ingressos líquidos de investimentos estrangeiros em carteira e diretos, que somaram, respectivamente, US$ 3,7 bilhões e US$ 2,5 bilhões.

 

Remessas

 

As remessas de lucro e dividendos de empresas multinacionais instaladas no Brasil voltou a subir em maio. Segundo dados divulgados há pouco pelo Banco Central, as remessas somaram US$ 2,559 bilhões no mês. Em abril, as remessas foram de US$ 1,716 bilhão.

 

No acumulado do ano, de janeiro a maio, as remessas de lucros e dividendos somam US$ 7,832 bilhões, metade do registrado no mesmo período do ano passado, quando as empresas remeteram US$ 15,596 bilhões. O resultado de maio deste ano também é melhor do que o registrado no mesmo mês do ano passado, quando as remessas de lucros e dividendos somaram US$ 3,238 bilhões.

 

As despesas com juros externos, de acordo com o BC, em maio, somaram US$ 378 milhões ante US$ 92 milhões em maio do ano passado. No acumulado do ano, as despesas com juros externos são de US$ 3,620 bilhões.

 

A conta de serviços do balanço de pagamentos terminou o mês de maio com déficit de US$ 1,712 bilhão em maio. O resultado foi menor que o registrado em igual mês do ano passado, quando o saldo negativo ficou em US$ 1,843 bilhão. No acumulado do ano, a conta apresenta saldo negativo de US$ 6,122 bilhões, ante US$ 6,272 bilhões em igual período de 2008.

 

A conta de viagens internacionais fechou maio com resultado negativo de US$ 426 milhões no mês passado, resultado de despesas de US$ 779 milhões e receitas de US$ 354 milhões. Na conta de transportes, houve déficit de US$ 324 milhões e na conta de serviços financeiros, resultado negativo de US$ 85 milhões. Em aluguel de equipamentos, a conta fechou o mês passado em US$ 732 milhões.

 

Acumulado no ano

 

De acordo com dados do BC, no acumulado de janeiro a maio, o déficit em transações correntes é de US$ 6,612 bilhões, o equivalente a 1,50% do PIB. O resultado é melhor do que o acumulado no mesmo período do ano passado, quando a conta de transações correntes acumulava déficit de US$ 14,090 bilhões. Em 12 meses, o déficit em transações correntes acumulado até maio subiu para US$ 20,714 bilhões, o equivalente a 1,51% do PIB.

 

O Banco Central melhorou a projeção para a conta de transações correntes do balanço de pagamentos do Brasil com o exterior neste ano. O BC reduziu de US$ 16 bilhões para US$ 15 bilhões a projeção de déficit da conta corrente em 2009. A melhora deve-se, sobretudo, porque o BC reviu para cima a projeção de superávit comercial, que subiu de US$ 17 bilhões para US$ 20 bilhões.

 

Por outro lado, o BC elevou a projeção de remessas de lucros e dividendos de empresas para o exterior, que subiu de US$ 15 bilhões para US$ 17 bilhões.

 

A revisão do superávit comercial foi feita porque o BC agora espera importações menores. A projeção de compras externas caiu de US$ 141 bilhões para US$ 138 bilhões para o ano. Por outro lado, a previsão para as exportações permaneceu a mesma: US$ 158 bilhões.

 

Dívida

 

O Banco Central estimou em US$ 193,951 bilhões a dívida externa total brasileira em maio. O resultado apresenta um aumento de US$ 1,3 bilhão em relação a março deste ano e de US$ 813 milhões em relação a abril.

 

De abril a maio, a dívida externa de médio e longo prazo aumento US$ 2,4 bilhões, atingindo US$ 163,791 bilhões. Já a dívida de curto prazo apresentou queda de US$ 1,6 bilhão e fechou o mês em US$ 30,159 bilhões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.