Déficit em conta corrente tem pior agosto da série, diz BC

Para 2011, o Banco Central espera um déficit nas contas externas de US$ 60 bilhões

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

21 de setembro de 2010 | 10h30

O déficit na conta corrente do balanço de pagamentos somou em agosto US$ 2,861 bilhões, de acordo com o Banco Central. De acordo com o  chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, o resultado foi o pior para os meses de agosto desde o início da série histórica, em 1947. Em agosto do ano passado, o resultado nessa conta foi negativo em US$ 809 milhões. O desempenho veio dentro das expectativas.

Ele também informou que o déficit acumulado em 12 meses até agosto (US$ 45,815 bilhões) também foi o pior para o período de 12 meses desde  o início da série. Na comparação com o PIB, o déficit acumulado em 12 meses até agosto de 2010 (2,32% do PIB) é o  pior resultado desde setembro de 2002, quando o saldo negativo correspondia a 2,57% do PIB.

O BC também divulgou, pela primeira vez, as projeções para as contas externas de 2011. Para a conta corrente do balanço de pagamentos, o BC projeta para o ano que vem, déficit de US$ 60 bilhões, o equivalente a 2,78% do PIB. De acordo com o BC, a balança comercial no ano que vem deve ter superávit de US$ 11 bilhões e a conta de serviços e renda deve ter déficit de US$ 75 bilhões.

No resultado do mês passado, a balança comercial contribuiu com superávit de US$ 2,440 bilhões, enquanto a conta de serviços e rendas teve déficit de US$ 5,536 bilhões. De janeiro a agosto, o déficit em conta corrente soma US$ 31,122 bilhões, o equivalente a 2,39% do Produto Interno Bruto (PIB). Em igual período do ano passado, o déficit foi de US$ 9,609 bilhões, o equivalente a 1,07% do PIB. O déficit em conta corrente acumulado dos últimos 12 meses encerrados em agosto soma US$ 45,815 bilhões, o correspondente a 2,32% do PIB. Até julho, o déficit externo era de US$ 43,764 bilhões em 12 meses, o correspondente a 2,24% do PIB.

Para 2010, a projeção para o déficit em conta corrente foi mantida em US$ 49 bilhões, embora com uma composição diferente. O BC elevou de US$ 13 bilhões para US$ 15 bilhões sua estimativa para o superávit comercial. Em contrapartida elevou também a estimativa de déficit na conta de serviços e renda de US$ 65,5 bilhões para US$ 67,5 bilhões. Para a rubrica viagens, que faz parte da conta de serviços, o BC elevou sua projeção de déficit em 2010, de US$ 8 bilhões para US$ 10 bilhões.

Investimento estrangeiro

O fluxo de investimento estrangeiro direto (IED) para o Brasil somou, em agosto, US$ 2,428 bilhões. Em igual mês do ano passado, o fluxo de IED foi de US$ 1,903 bilhão. O resultado ficou dentro das estimativas e marginalmente acima da mediana.

No acumulado do ano até agosto, o saldo de IED soma US$ 17,130 bilhões, o equivalente a 1,32% do PIB. Em igual período do ano passado, os ingressos de investimento estrangeiro direto somaram US$ 15,856 bilhões, o correspondente a 1,76% do PIB.

No acumulado dos últimos 12 meses terminados em agosto, o IED soma US$ 27,222 bilhões, o equivalente a 1,38% do PIB do período. Nos 12 meses encerrados em julho, o IED estava em US$ 26,697 bilhões (1,36% do PIB).

O BC reduziu sua projeção de IED para este ano de US$ 38 bilhões para US$ 30 bilhões. A projeção para investimentos em papéis domésticos e ações subiu de US$ 35 bilhões para US$ 38 bilhões. E para os financiamentos de médio e longo prazos, subiu de US$ 36,6 bilhões para US$ 46,4 bilhões. E para 2011, a instituição projeta ingressos de investimentos estrangeiros diretos de US$ 45 bilhões, o equivalente a 2,08% do PIB. Além disso, o BC espera investimentos em papéis domésticos e ações de US$ 36 bilhões em 2011. Também prevê financiamentos de médio e longo prazos de US$ 46 bilhões.

Altamir informou que o investimento estrangeiro em ações brasileiras somou US$ 2,498 bilhões em setembro até hoje (21). As ações negociadas no Brasil atraíram US$ 4,476 bilhões no período. Como as ações no País receberam mais recursos que o total destinado ao global das ações brasileiras, isso quer dizer que papéis negociados no exterior - como as ADRs - perderam investidores.

Altamir também informou que a aplicação estrangeira em papéis de renda fixa negociados no País trouxe US$ 740 milhões ao Brasil em setembro até este terça-feira, 21.

Dívida externa

O Banco Central anunciou que a dívida externa total estimada ficou em US$ 235,365 bilhões em agosto. O valor é superior ao registrado em junho, quando o valor efetivo foi de US$ 228,594 bilhões. O dado referente a agosto é uma estimativa e os números atribuídos ao mês de junho são realizados.

Segundo o Banco Central, a dívida de médio e longo prazos atingiu US$ 187,949 bilhões em agosto, ante US$ 182,724 bilhões em junho. Já a dívida de curto prazo, subiu de US$ 45,869 bilhões em junho para US$ 47,416 bilhões em agosto.

O BC também informou que a taxa de rolagem de empréstimos de médio e longo prazos ficou em 232% em agosto, superior ao visto em igual mês do ano passado, quando havia ficado em 220%. A taxa de renovação dos empréstimos no mês passado foi alcançada graças à renovação de 373% nas operações feitas por títulos e 182% nos empréstimos diretos.

Lucros e dividendos

A remessa de lucros e dividendos enviadas por empresas multinacionais com sede no Brasil somou US$ 2,511 bilhões em agosto. Em igual mês de 2009, a remessa havia somado US$ 1,895 bilhão. No acumulado de janeiro a agosto de 2010, essas transferências já totalizam US$ 19,281 bilhões, ante US$ 14,478 bilhões em igual período do ano passado.

Altamir também informou que a remessa de lucros e dividendos soma em setembro até hoje (21) US$ 992 milhões. Já a despesa com juros soma, no mesmo período, US$ 341 milhões. 

Investimento Estrangeiro Direto

Altamir Lopes disse que a queda na previsão de ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) em 2010 foi causada pela decisão de algumas empresas estrangeiras de postergar investimentos no Brasil. "Embora nós tivéssemos anúncios importantes de investimentos, alguns foram postergados porque dependem da dinâmica da economia mundial que apresenta crescimento inferior ao previsto inicialmente", explicou.

No relatório mensal do setor externo divulgado nesta terça-feira, a previsão de ingresso de IED em 2010 caiu de US$ 38 bilhões para US$ 30 bilhões. Segundo Altamir, metalurgia, automotivo e petróleo e gás estão entre os setores da economia que mais postergaram os investimentos produtivos no Brasil. "É um problema da dinâmica da economia dos países que são fonte dos investimentos e não no destino, que é o Brasil", argumentou. O chefe do departamento econômico defendeu que a queda da previsão de ingresso de IED se deve à postergação e não ao cancelamento dos projetos.

Ele prevê que a recuperação da economia mundial e grandes eventos no Brasil como a exploração do pré-sal, Copa do Mundo e Olimpíada deverão acelerar em breve o ingresso de IED ao Brasil.

 

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