Déficit externo chega a US$ 22 bilhões

Resultado do acumulado de janeiro a maio é inédito. Apenas no mês passado, rombo nas contas externas do País foi de US$ 4,1 bilhão

Renata Veríssimo e Fabio Graner, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2011 | 00h00

BRASÍLIA

O déficit na conta corrente do balanço de pagamentos atingiu US$ 4,1 bilhões no mês passado, o maior valor para meses de maio desde 1947 e o dobro do registrado em maio de 2010. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o resultado negativo somou US$ 22,2 bilhões, cifra também inédita para o período.

Apesar dos números recordes, o Banco Central avalia que o déficit evoluiu na trajetória esperada e está consistente com a estimativa de saldo negativo de US$ 60 bilhões para 2011. Nessa conta são registradas todas as transações de bens, serviços e rendas do Brasil com o exterior.

O discurso de tranquilidade do BC é explicado porque o saldo negativo tem sido financiado sem problemas, graças principalmente à evolução "significativa" dos Investimentos Estrangeiros Diretos (IED), recursos direcionados para a produção no Brasil. O IED totalizou US$ 3,97 bilhões em maio, também o maior valor para o mês, e, para 2011, a autoridade monetária manteve sua estimativa de US$ 55 bilhões.

A situação do País é saudável quando o déficit externo é coberto pelo investimento direto, uma fonte de dólares com perfil de longo prazo. No acumulado em doze meses até maio, o IED supera o déficit em conta corrente, embora no mês passado o investimento direto tenha sido menor que o déficit externo.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, antecipou que a conta corrente deve ter em junho déficit de US$ 4,2 bilhões e o investimento direto, saldo de US$ 4,5 bilhões. Segundo ele, o fluxo de IED neste mês, até o dia 24, estava positivo em US$ 4,34 bilhões.

Além do forte crescimento da economia - que estimula importações e viagens ao exterior - e a valorização do real, a piora do déficit em conta-corrente em maio também foi puxada pela maior remessa de lucros e dividendos para o exterior. Foram US$ 4,2 bilhões em maio, o dobro do valor de abril.

"As remessas refletem o bom momento da economia e a ampliação dos investimentos estrangeiros diretos nos últimos anos", disse Maciel. Ele adiantou que as remessas de lucros e dividendos totalizam, até o momento, US$ 3 bilhões em junho. O BC elevou ontem a projeção de remessas para o ano de US$ 34 bilhões para US$ 37 bilhões.

Os gastos com pagamento dos juros da dívida pública e privada chegaram a apenas US$ 90 milhões em maio, o menor da série histórica do BC. Em junho, até ontem, as despesas com juros somavam US$ 1,12 bilhão. A estimativa de superávit na balança comercial em 2011 também foi elevada de US$ 15 bilhões para US$ 20 bilhões.

A projeção de déficit da conta de serviços e rendas em 2011, que inclui gastos com viagens internacionais, subiu de US$ 78 bilhões para US$ 83 bilhões. A previsão para Investimentos Brasileiros Diretos (IBD) no exterior caiu de US$ 5 bilhões para zero.

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