Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

Déficit fiscal de 2015 ainda não foi definido, diz Berzoini

Na semana passada, o governo chegou a reconhecer que o rombo poderia passar dos R$ 76 bilhões, mas número não foi divulgado

Isadora Peron e Igor Gadelha , O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2015 | 12h53

BRASÍLIA - O ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, Ricardo Berzoini, afirmou que a equipe econômica ainda não tem uma definição sobre o tamanho do déficit das contas públicas em 2015.

A expectativa era que o número tivesse sido apresentado na semana passada pelo governo. Segundo ele, o tema não foi discutido na reunião de articulação política desta segunda-feira, 26, comandada pela presidente Dilma Rousseff.

"Não discutimos (o tamanho do déficit em 2015), até porque ainda não há uma definição por parte da equipe econômica", disse Berzoini em entrevista no Palácio do Planalto após a reunião.

Na semana passada, o governo chegou a reconhecer que o rombo poderia passar dos R$ 76 bilhões caso o Tribunal de Contas da União (TCU) não concordasse com o parcelamento das pedaladas.

Segundo o ministro, durante a reunião foram discutidas as estratégias para conseguir aprovar as propostas que tratam do ajuste fiscal tanto na Câmara quanto no Senado. "É importante que tenhamos uma semana de votações positivas no Congresso", disse.

Sobre a recriação da CPMF, Berzoini afirmou que o governo não ignora as dificuldades para aprovar o projeto, mas que já vem notando uma melhora do ambiente político.

Questionado se o Planalto está preocupado com a imagem do País após uma nova revisão da meta fiscal, que deve ser anunciada em breve, o ministro tentou minimizar a situação e disse que a crise econômica do Brasil pode ser vista de forma isolada.

Bolsa Família. Berzoini afirmou que o governo vai procurar o relator do Orçamento de 2016, deputado Ricardo Barros (PP-PR), para tentar evitar o corte de R$ 10 bilhões no Bolsa Família.

Segundo o ministro, na semana passada eles já conversaram rapidamente sobre o assunto e uma nova rodada de negociação deve acontecer esta semana.

Berzoini classificou o tema como "polêmico" e fez questão de reiterar que o Palácio do Planalto "evidentemente" é contra a medida. "Há condições de fechar o Orçamento sem recorrer a essa iniciativa. O Bolsa Família é um programa consolidado e reconhecido mundialmente, portanto não é a melhor hipótese para sofrer qualquer tipo de redução", disse.

Na semana passada, a própria presidente Dilma Rousseff saiu em defesa do programa e disse que não iria aceitar qualquer redução de recursos para o programa. O relator tem se mostrado disposto a negociar, desde que o governo aponte outras áreas que possam sofrer cortes.

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