Déficit fiscal na zona do euro recuou em 2010

Na Grécia, no entanto, resultado ficou acima do esperado e a Irlanda foi o país do bloco com maior déficit em relação ao PIB no período, 32,4%

, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2011 | 00h00

BRUXELAS

O déficit no orçamento da zona do euro diminuiu no ano passado para 6,0% do Produto Interno Bruto (PIB) da região, em comparação aos 6,3% de 2009, segundo cálculos da Eurostat divulgados ontem. Na União Europeia (UE) como um todo, o déficit em 2010 foi de 6,4%, menor do que o de 6,8% um ano antes. No entanto, o déficit orçamentário da Grécia superou o previsto.

A Eurostat informou que o déficit no orçamento da Grécia em 2010 foi de 10,5% do PIB, significativamente maior do que o esperado tanto pelo governo grego como pela Comissão Europeia. O governo calculava déficit de 9,4% do PIB e, em fevereiro, a Comissão Europeia - braço executivo da União Europeia - previu déficit de 9,6% em 2010 e de 7,6% este ano.

O cálculo da Eurostat vai acentuar a pressão para que a Grécia reduza o déficit neste ano para cumprir as metas estabelecidas pelo programa de resgate recebido da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI). A Eurostat revisou o déficit orçamentário grego de 2008, de 9,4% para 9,8%, e informou que a dívida total do governo da Grécia era de 142,8% do PIB do país no fim de 2010, a maior da União Europeia.

Ranking. Não foi a Grécia, porém, o país que teve o maior déficit no orçamento no ano passado, mas sim a Irlanda. O país, que também recebeu ajuda internacional, registrou déficit de 32,4% do PIB. Em fevereiro, a Comissão Europeia havia previsto déficit de 32%.

O déficit de Portugal foi de 9,1% em 2010, segundo a Eurostat. O governo português, que está negociando um socorro financeiro da União Europeia e do FMI, revisou os próprios cálculos sobre o déficit de 2010 durante o último fim de semana para 9,1%, em relação à estimativa anterior de 8,6%. Na Espanha, o déficit em 2010 foi de 9,2%, atendendo à meta do governo anunciada no mês passado.

Inflação. O Banco Central Europeu (BCE) fará o máximo para impedir que os custos elevados de energia e commodities se transmitam a outros preços, disse ontem o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet. Ele acrescentou que isso não aconteceu ainda e que as expectativas de inflação não chegaram a níveis alarmantes. "Nós temos riscos de efeitos secundários aqui. Temos de ficar muito alertas para que eles não se materializem", disse Trichet a jornais finlandeses.

Neste mês, o BCE elevou a taxa básica de juros da zona do euro em 0,25 ponto, para 1,25% - a primeira alta desde julho de 2008 -, citando riscos de inflação. / DOW JONES NEWSWIRES

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.