"Déficit insuportável" é resultado de mínimo maior, diz Palocci

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, disse hoje que um salário mínimo entre R$ 280 e R$ 290 geraria um déficit insuportável na Previdência Social. As declarações do ministro foram dadas em uma entrevista à Rádio Clube de Ribeirão Preto, sua cidade-natal e da qual ele foi prefeito duas vezes antes de assumir a Pasta.O ministro garantiu que o PT, antes crítico dos aumentos concedidos nos governos anteriores, "não encobre essa realidade quando decide por aumento do mínimo", em um cenário de vinculação aos benefícios dos aposentados e pensionistas. "Acredito que a atividade econômica privada possa suportar um salário mínimo maior do que 260 reais. Mas se você olhar as contas da previdência, vê que o déficit tem crescido e se for para 280 ou 290, você gera um déficit quase insuportável para as contas públicas", explicou o ministro.O governo decidiu, na semana passada, elevar o mínimo de R$ 240,00 para R$ 260, mas uma Comissão Mista no Congresso estuda a matéria e este assunto será o centro das discussões dos parlamentares nesta semana no Congresso Nacional. O relator da medida provisória na comissão mista, deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ), deverá concluir o seu parecer até quarta-feira, penúltimo dia do período de funcionamento da comissão.No dia 13, com votação ou não pela comissão mista, a MP segue para ser analisada pela Câmara. Maia deverá optar em seu parecer pelo valor de R$ 275,00 e incluir um abono a ser pago apenas em maio com a diferença entre o valor fixado e o valor anterior do mínimo, R$ 240. Veja mais informações no link abaixo.Crescimento no interiorPalocci reafirmou que já há uma recuperação na atividade econômica no Brasil e um crescimento efetivo em todas as áreas de desenvolvimento. No entanto, segundo ele, a geração de empregos em regiões do interior do país aliada às exportações geradas pelo agronegócio são os principais fatores desse crescimento. Segundo ele, as visita feita por Lula à Agrishow Ribeirão Preto há dez dias "é uma forma de valorizar o que o Brasil tem feito de melhor, valorizar as regiões que têm crescido muito".Ele citou ainda dados de seu Ministério que apontam que de 2000 a 2004 a geração de empregos nas regiões metropolitanas mais importantes caiu 10% e no interior, próximo a essas mesmas regiões, a geração de emprego subiu 85%. "Isso mostra que há uma mudança geográfica na geração de empregos, no desenvolvimento econômico. Além da agricultura e da pecuária, existem os serviços ligados a elas. É um novo Brasil que está surgindo com a força da agricultura", disse Palocci.Críticas ao jornalista do The New York TimesPalocci afirmou ainda que a matéria publicada no jornal The New York Times insinuando que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, tivesse problemas com bebidas alcoólicas "não pode ter uma repercussão grande na economia porque é de grande irresponsabilidade". Ele classificou como "irresponsável" o repórter Larry Rohter, correspondente do jornal no Brasil e autor da matéria.O ministro declarou que não é possível que o texto de Rohter gere uma repercussão negativa na economia "porque ele é claramente, ostensivamente leviano, irresponsável, nada tem a ver com a figura do presidente da República". Palocci procurou isentar a direção do jornal norte-americano. "É de fato uma coisa que certamente não faz parte da decisão do jornal, mas uma coisa fora de foco do jornalista responsável por essa matéria", afirmou.Palocci aproveitou a oportunidade e defendeu o presidente Lula. Segundo ele, Lula tem uma dedicação intensa a todos os sistemas sociais do país e centrais do governo. "É um presidente que se dedica às decisões do governo, não é um presidente ausente, não fica por cima dos assuntos e não tem sentido uma matéria como essa", disse.O ministro elogiou ainda a imprensa nacional por não ter, segundo ele, dado importância às informações publicadas no jornal norte-americano "Felizmente os jornais do Brasil, as tevês, as rádios tiveram responsabilidade e não deram importância a um evento como esse, porque conhecem o presidente".

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