Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Dívida pública termina 2018 em 76,7% do PIB

Esse é o maior número registrado no encerramento de um ano; em termos nominais, dívida bruta somou R$ 5,3 trilhões no ano passado

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

31 Janeiro 2019 | 11h02
Atualizado 31 Janeiro 2019 | 23h25

BRASÍLIA - Com um rombo superior a R$ 100 bilhões nas contas do setor público, a dívida brasileira continuou sua escalada em 2018. A Dívida Bruta do Governo Geral – principal indicador de solvência do País – terminou o ano passado em 76,7% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme dados divulgados nesta quinta-feira, 31, pelo Banco Central.

Esse é o maior nível já registrado no encerramento de um ano. No fim de 2017, a relação estava em 74,1%. Em termos nominais, a dívida bruta soma R$ 5,3 trilhões.

A dívida bruta é um indicador acompanhado de perto pelas agências de classificação de risco, que conferem notas aos países (o que funciona como uma recomendação, ou não, para investimentos). Uma tendência de alta da dívida, num cenário de ausência de reformas, pode levar à piora na nota brasileira.

A escalada da dívida bruta nos últimos anos está diretamente ligada ao fato de os governos gastarem mais do que arrecadam. Os dados do BC mostraram que, no ano passado, o rombo no setor público somou R$ 108,3 bilhões. Esse déficit acabou sendo inferior aos R$ 161,3 bilhões que o governo tinha permissão para atingir, mas ainda assim o resultado foi negativo. Para tapar o buraco, o governo emitiu títulos, o que impulsionou a dívida pública.

Dentro do setor público, o governo federal registrou superávit de R$ 79,7 bilhões em 2018. Mas o esforço do governo em economizar foi apagado pelo resultado da Previdência: o déficit somou R$ 195,2 bilhões.

“Há uma trajetória de redução dos déficits primários (do setor público), mas se o objetivo é reduzir o endividamento, ainda há um grande caminho a ser percorrido ”, avaliou o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha.

Para o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Camargo Rosa, o déficit fiscal menos intenso que a meta em 2018 não indica uma melhora estrutural. “Uma melhora sustentável parte do pressuposto da aprovação da reforma da Previdência”, defendeu.

Já o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, afirmou que, apesar de as contas públicas terem ficado deficitárias em 2018, o resultado não é necessariamente ruim. “Mostra que parte das medidas adotadas no governo Temer foram acertadas e podem ser aproveitadas pelo governo atual.” /COLABORARAM CAIO RINALDI E MARIA REGINA SILVA

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