Déficit recorde nas contas externas é muito preocupante, afirma economista

Rombo histórico reflete a perda de competitividade da indústria brasileira e o fim do ciclo de boom das commodities, avalia Margarida Gutierrez, da UFRJ

Álvaro Campos , Agência Estado

23 de janeiro de 2015 | 12h12

SÃO PAULO - O déficit recorde de US$ 90,948 bilhões (4,17% do PIB) na conta corrente brasileira em 2014 é muito preocupante, avalia Margarida Gutierrez, professora do Coppead, da UFRJ. Segundo ela, o rombo histórico reflete a perda de competitividade da indústria brasileira e o fim do ciclo de boom das commodities.

"Quando a economia está crescendo, é normal que o déficit aumente, pois existe um fortalecimento nas importações. Mas atualmente nós estamos vendo um aumento nesse rombo em um momento de economia parada, o que reflete questões estruturais", comenta. Ela firma que o resultado negativo também é consequência da queda nos preços das commodities, que representam quase 65% das exportações brasileiras. A pesquisadora salienta que normalmente o mês de dezembro tem saldo negativo, devido a pagamentos e remessas de lucro para o exterior.

Margarida também chama atenção para o fato de o investimento estrangeiro direto (IED) ainda estar elevado, fechando 2014 a US$ 62,495 bilhões, mas financiar uma parte cada vez menor do rombo na conta corrente. No ano passado, essa relação ficou em 68,72%. "Isso nos deixa mais dependentes das captações de recursos no exterior, o que tende a aumentar a vulnerabilidade", explica.

O resultado negativo em conta corrente tende a pressionar o real, mas Margarida lembra que o Banco Central Europeu (BCE) anunciou ontem um amplo programa de relaxamento monetário, o que deve manter a liquidez global elevada e pode trazer recursos para o Brasil, gerando uma tendência de desvalorização do dólar, ao menos no curto prazo. 

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