'Definição dá nova dimensão ao País'

Para presidente da Confederação Nacional da Indústria, resultado das eleições ajuda a melhorar o ambiente da economia

Entrevista com

Robson Andrade, presidente da CNI

LU AIKO OTTA, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2014 | 02h01

BRASÍLIA - O fim do processo eleitoral, por si só, já ajuda a desanuviar o ambiente econômico, avalia o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade. "As pessoas podem gostar ou não gostar, mas isso dá uma outra dimensão para o País", avaliou. "Agora já se sabe com quem se vai trabalhar, de que forma se vai trabalhar."

Andrade está à frente da entidade que representa um setor citado no discurso de vitória da presidente Dilma Rousseff como prioridade, e para o qual prometeu ações ainda este ano. Segundo ele, é hora de deixar de lado a crise internacional e olhar para o que o País precisa. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Gostou do resultado das eleições?

Acho que foi uma disputa muito apertada, equilibrada. Mas o povo é que escolhe. Com certeza, o importante agora é unir o País e fazer as coisas que precisam ser feitas, como disseram o Aécio (Neves, candidato pelo PSDB) e a presidente Dilma.

Ela falou da situação da indústria e deixou claro que vêm medidas de estímulo. O que são?

Ah, isso eu não sei. A indústria está tão ruim que precisa de muitas coisas. Acho que a presidente tem o diagnóstico bem feito do que é necessário, e que vamos ter oportunidade de fazer essas medidas. Ela deixou claro que o segundo mandato será muito mais propositivo. E falou de reformas. Isso deixa a gente bastante animado.

Ela prometeu melhorar o diálogo com o empresariado. Já há reuniões acertadas?

Na verdade, a gente já estava com muitas conversas realizadas. Desde o início do primeiro semestre que a presidente vem mostrando capacidade e vontade grande de dialogar. Acho que elas tendem a continuar e se intensificar.

Havia diálogos com setores específicos, para discutir medidas pontuais. Mas faltava a agenda de longo prazo, as medidas macroeconômicas. Como está essa frente?

O Ministério da Fazenda vem estudando medidas macro, como o PIS-Cofins, e medidas na área de comércio internacional. Já havia uma agenda. Creio que isso vai se intensificar. São coisas importantes, e o governo está disposto a fazer.

A reforma do PIS-Cofins, que os técnicos dizem estar completamente mapeada, vem ainda este ano?

Espero que sim. Acho que tem de vir algo de PIS-Cofins, de desoneração dos investimentos e algumas medidas para aumentar as exportações. Isso é fundamental. Acho que essas coisas devem estar sendo gestadas.

O candidato Aécio Neves colocava um plano de recuperação que começava pela arrumação do ambiente macroeconômico. Havia uma ênfase ao ajuste fiscal, que parece não entusiasmar a atual equipe de governo. Dá para sair da crise sem passar pelo ajuste?

O ajuste fiscal terá de ser feito, e a gente espera que o governo tenha medidas para isso. Ele depende um pouco do crescimento. Se o País cresce, ele fica mais fácil. Além disso, a presidente sinalizou que vai enfrentar a reforma política e a tributária - que vem acontecendo de forma fatiada. Isso tem de vir mais forte, eu acho. E tem as questões trabalhistas, que o governo vai ter de discutir. Não tem como.

Isso está na mesa?

Reforma trabalhista é difícil de colocar na agenda. Mas, quando se discute a terceirização, por exemplo, não tem como não discutir isso. Acho que vai precisar fazer alguma coisa.

A definição do quadro eleitoral, por si, desanuvia o ambiente?

As pessoas podem gostar ou não, mas isso dá outra dimensão ao País. Agora já se sabe com quem se vai trabalhar, de que forma vai trabalhar. As pessoas têm de pôr a cabeça no travesseiro e começar a trabalhar de maneira séria, com otimismo.

Mas a perspectiva para a indústria não é boa no ano que vem.

Acho que, do ponto de vista do crescimento, para o Brasil inteiro não vai ser bom o ano que vem. Serviços, indústria, todos vão enfrentar certa dificuldade, até pelos ajustes que deverão ser feitos. Mas isso é a base para que o Brasil possa crescer a partir de 2016, e deixar as dificuldades em relação ao ambiente externo de lado. Temos de prestar mais atenção ao que está na nossa base, ao que precisamos de infraestrutura, de desoneração de investimentos, mecanismos para exportar mais.

Do ponto de vista do exportador, o dólar já deu uma melhorada. O que mais pode ser?

Acho que a exportação ainda tem muitos impostos escondidos na cadeia produtiva. É preciso analisá-la. Isso é uma coisa. Outra são as burocracias que enfrentamos. Isso tem de ser resolvido rapidamente. E a terceira coisa são os acordos internacionais com União Europeia, Pacífico, África. Tem muitos acordos que já estão prontos.

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