Deflação é recebida com descrédito

A deflação apontada pelos institutos de pesquisa não é percebida pelo consumidor. Fórum realizado pelo Portal estadão.com.br revela desconfiança em relação aos índices de preços. O empresário Ivan de Abreu Aureli, de 66 anos, dono de uma microempresa revendedora de aparelhos de fax, é um dos que põem em dúvida o resultado dos índices que mostram deflação. "Os preços estão cada vez mais elevados. Há dois meses, eu gastava semanalmente entre R$ 60 e R$ 70 no supermercado. Hoje, desembolso pelos mesmos produtos de R$ 120 a R$ 130", argumenta. Em suas idas ao supermercado, o empresário notou que diversos produtos, como o molho de tomate, a geléia e o azeite, "subiram uma barbaridade". As pesquisas da Fipe e do Dieese, de fato, confirmam a disparada dos preços nos últimos 12 meses. Apesar da deflação em junho, os preços acumulam altas recordes no período. No caso dos alimentos, o aumento médio em 12 meses chega a 23,04%, segundo o IPC-Fipe, apesar da queda de 1,35% ocorrida em junho. A margarina, por exemplo, teve queda de 1,05% no mês passado e, mesmo assim, acumula alta de 37,19% desde julho de 2002. Este é um dos fatores que contribuem para confundir o consumidor. O aposentado Agostinho Locci, de 68 anos, de São Paulo, não se conforma com as notícias sobre deflação. "Vou sempre ao supermercado com minha esposa e nunca vi um produto com o mesmo preço. Sempre há majoração, principalmente nos itens de primeira necessidade", diz o aposentado. Para ele, "a deflação é um engodo, uma mentira". Locci diz não entender os critérios de apuração dos índices de preços. A pesquisa da Fipe, por exemplo, coleta preços de 525 itens na cidade de São Paulo com base nos hábitos de consumo de famílias com renda mensal entre um e 20 salários mínimos (de R$ 240 a R$ 4.800). Um dos fatores que levam o consumidor a não distinguir a retração dos preços é que os índices consideram a variação média das cotações dos produtos. Isso quer dizer que os preços podem subir em alguns estabelecimentos pesquisados e cair em outros, mas o que vale é o resultado médio. A coordenadora do ICV-Dieese, Cornélia Nogueira Porto, observa que geralmente o consumidor só repara nos preços que sobem. Segundo ela, os que se mantêm ou recuam não são levados em conta. Além do efeito gangorra nos preços, Cornélia ressalta que o achatamento dos salários nos últimos anos reforça a percepção do consumidor de que falta dinheiro para despesas correntes, como as compras no supermercado. Você acha que os preços caíram? Participe do Fórum dos Leitores

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