Deflação na prévia da inflação oficial reforça aposta de juro estável

Com queda nos preços dos alimentos, IPCA-15 de -0,05% em agosto fica negativo pelo segundo mês consecutivo

Sabrina Valle, Marcílio Souza e Flavio Leonel, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2010 | 00h00

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) apresentou deflação em agosto (-0,05%), pelo segundo mês consecutivo, e reforçou a expectativa do mercado de manutenção da taxa básica de juros (Selic) nos atuais 10,75%.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegou ontem a prever uma eventual interrupção da alta dos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Ele classificou o resultado como "muito bom" e disse que a inflação está "sob controle" e deve influenciar a reunião de 31 de agosto e 1.° de setembro.

"Eu não costumo falar sobre juros, é o Banco Central que administra essa parte. Mas, certamente, ele estará atento ao que está acontecendo com a inflação. Ele deve estar mais calmo, mais tranquilo, com esse resultado", afirmou Mantega ontem, no Rio, após assinatura de um empréstimo do Banco Mundial à prefeitura carioca.

O ministro atribui a queda ao fim das pressões inflacionárias de alimentos e commodities no primeiro trimestre e divulgou previsões sobre o PIB de 2010 e o IPCA dos próximos meses. "Devemos ter IPCAs, ao meu ver, em torno de 0,15%, 0,20%, 0,30%. Devemos terminar o ano com crescimento forte, de 6,5%, 7%, e uma inflação em torno de 5%."

A queda deste mês do IPCA-15 - prévia do IPCA, o índice oficial - foi menos intensa do que em julho (-0,09%). O índice acumula alta de 3,21% em 2010. Já no intervalo de 12 meses acumula em agosto alta de 4,4%, abaixo dos 4,74% dos 12 meses imediatamente anteriores e da meta de inflação do BC, de 4,5%. Segundo o IBGE, a principal influência da queda da inflação indicada pelo índice vem dos alimentos, que caíram 0,68% no mês.

Juros. "Sem um cenário confirmado de retomada forte da atividade, com inflação corrente baixa e expectativas próximas à meta e convergindo para o centro num prazo de um a dois anos, o Copom deve mesmo encerrar o ciclo de ajuste", avaliou a economista-chefe da Icap Brasil, Inês Filipa. Ela havia previsto deflação de 0,03%.

"Haverá claramente uma manutenção dos juros na próxima reunião do Copom", disse o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto. Mas ele ressaltou que, nos meses seguintes, uma avaliação do cenário macroeconômico indicará os próximos movimentos da Selic.

Já Luciano Rostagno, analista da CM Capital Markets, acredita que a Selic deverá ser mantida até o fim do primeiro trimestre de 2011. "Diante do nível confortável no qual a inflação corrente se encontra e considerando as crescentes evidências de desaceleração da economia global no segundo semestre, avaliamos que o BC vai manter a Selic inalterada na próxima reunião."

O economista-sênior do BES Investimento, Flávio Serrano, faz ressalvas aos sinais de recuo da inflação. "Apesar de os índices estarem em níveis muito baixos, ainda acreditamos que o ambiente econômico continua aquecido, o que pode elevar os riscos de alta da inflação." / COLABOROU ALESSANDRA SARAIVA

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