European Parliament
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“Deixamos para trás um colonialismo imposto”, diz líder do Syriza

Para Dimitrios Papadimoulis, vice-presidente do Parlamento Europeu, a Grécia inicia um novo ciclo de sua história e conseguiu colocar fim à tutela da Europa e seus credores

Entrevista com

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

09 Setembro 2018 | 05h00

GENEBRA - A Grécia inicia um novo ciclo de sua história e conseguiu colocar fim à tutela da Europa e seus credores. Essa é a avaliação de Dimitrios Papadimoulis, vice-presidente do Parlamento Europeu, ex-deputado grego e membro da direção do Syriza, o partido que desde 2015 governa Atenas. Em entrevista ao Estado, ele admitiu que, apesar de o país entrar em uma nova fase, serão necessário “anos” para que o povo volte a ter o mesmo padrão de vida que existia antes da crise. Eis os principais trechos da entrevista: 

Em que estado está a Grécia hoje?

Estamos fora do memorando de entendimento (dos pacotes de resgates), depois de um período duro, depois de muita dor, cortes de salários, pensões e direitos sociais. O colapso de nossa economia foi o resultado de uma década de governos desastrosos. Agora, nosso partido, o Syriza, colocamos um fim à isso, com muitos compromissos e cedendo em vários pontos. Mas vemos uma recuperação da economia. 

Quais são as perspectivas de crescimento? 

Para 2018, a estimativa é de que iremos crescer em 2% e essa taxa vai se fortalecer nos próximos anos. O desemprego caiu de 27% para 19,5%, mas que é ainda muito elevado. Temos ainda o desafio da migração e dos refugiados. Mas temos também uma realidade que é a dos partidos de extrema-direita na Europa que passaram a impor um dogma de não se compartilhar responsabilidades no continente. 

O que esperar da situação social a partir de agora?

Faremos um aumento gradual de salários e a recuperação de direitos, baseados nas reais capacidades e em investimentos. Não podemos dizer que temos um presente glorioso. Mas deixamos para trás um colonialismo imposto. Depois de muito tempo, a Grécia está de volta. 

O sr. acredita que os padrões de vida que existiam antes da crise um dia podem ser recuperados?

Teremos de trabalhar por muitos anos para reconquistar os padrões de vida que tínhamos. A realidade é que, entre 2000 e 2009, gastamos o que não tínhamos. Vimos governos que estavam baseados em clientelismo, contratos para as oligarquias locais e corrupção. Realizamos uma Olimpíada que saiu mais cara que os Jogos de Londres, em 2012. E tudo isso colocamos nos ombros do povo. 

O que precisa mudar?

Precisamos crescer e construir um futuro baseado em um chão sólido. Não será fácil. Mas precisamos seguir esse caminho. 

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