Delfim diz que BC faz política terrorista e equivocada

O economista e deputado federal Antonio Delfim Netto (PP-SP) voltou a criticar hoje a postura do Banco Central (BC) no controle da política monetária do País, principalmente na questão da manutenção da taxa básica de juros brasileira em níveis elevados. Em entrevista à rádio Eldorado, no Jornal da Eldorado, ele afirmou que não tem dúvida alguma que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC elevará os juros, atualmente em 16,75% ao ano, na reunião que acontecerá na próxima semana. Disse ainda que a autoridade monetária faz uma política "terrorista" e "equivocada" para impedir que a inflação ultrapasse as metas, segundo ele, "ambiciosas", estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). "Eu não faço a crítica ao Banco Central. Acho, inclusive, que seus profissionais são competentes. Faço uma crítica, e acho que tenho razão para fazê-la, às hipóteses que o Banco Central utiliza", observou o economista, destacando as projeções usadas pela instituição para o aumento do nível de utilização de capacidade instalada da indústria, que, freqüentemente, é usado por economistas como argumento de risco para o crescimento da demanda e alta do custo de vida. "O Banco Central está fazendo uma política terrorista, dizendo para o consumidor: presta atenção, rapaz. Se você comprar muito no Natal, vai perder o emprego em fevereiro. E dizendo para o empresário: toma cuidado, você vai investir agora, mas não vai ter demanda em março", exemplificou. O deputado federal afirmou que não há necessidade de o BC perseguir metas de inflação muito rígidas e juros reais de 10% ao ano, já que o custo de vida, de acordo com ele, não estaria dando sinais preocupantes e continua mantendo uma média dos últimos anos. "Ele (o BC) continua com uma hipótese que é equivocada de que o Brasil precisa de uma taxa de juro real de 10% ao ano", opinou. "A inflação está em uma média de 7,9% nesses (últimos) seis anos e a flutuação em cima da média é aleatória. Estamos andando hoje para 7,6%, 7,7%, dentro da média, rigorosamente, desde a (época da) desvalorização cambial, quando o trabalho do Banco Central foi primoroso", destacou. O economista citou o mais recente Relatório de Inflação do BC e classificou o documento como "rocambole aritmético" com o objetivo de aumentar as metas - a autoridade monetária passou a perseguir uma meta de inflação de 5,1% para 2005 e não o ponto central de 4,5%, desde o último relatório. "Qual é a razão de ser 5,1%? Na minha opinião é uma meta extremamente ambiciosa diante do desenvolvimento que vem aí. Para atingi-la, vai ter de realmente reduzir o crescimento. É óbvio, pois se o Brasil está crescendo a 4,8% e ele (o BC) acredita que o Brasil não pode crescer mais que 3,5%, é evidente que ele tem de cortar a demanda", disse. Delfim foi confirmado ontem pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, para presidir o Conselho Superior de Economia (Cosec) do Instituto Roberto Simonsen, braço da entidade paulista responsável pela elaboração de projetos, comunicação empresarial, seminários, palestras, cursos e co-edição de livros. Apesar das críticas de hoje, o deputado afirmou que o convite é uma possibilidade importante para discutir os problemas nacionais, mas ressaltou que a Fiesp não pretende dar conselhos para o governo e nem comandar a política econômica nacional.

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