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Delfim ironiza data do anúncio

Para ele, governo tenta ?reacender o entusiasmo?

Jacqueline Farid, RIO, O Estadao de S.Paulo

09 de novembro de 2007 | 00h00

O economista Delfim Netto ironizou o anúncio da Petrobrás, como uma tentativa do governo de "reacender o entusiasmo" após os problemas enfrentados com o fornecimento de gás. Segundo ele, a única possível restrição à aceleração do crescimento econômico brasileiro, hoje, é a questão energética."Qualquer problema com energia restringe o crescimento", disse o ex-ministro da Fazenda e professor emérito da Universidade de São Paulo. Apesar da ironia sobre o anúncio de ontem da estatal de petróleo, ele afirmou que "o meu conhecimento mostra que é uma descoberta extremamente importante, de um óleo de qualidade muito boa, que vai aumentar muito as reservas brasileiras".No entanto, alertou que o óleo está a 6 mil metros de profundidade, o que, segundo ele, leva à necessidade de que a Petrobrás prossiga no desenvolvimento tecnológico e "se mantenha protegida de toda política para chegar a esse petróleo". Segundo Delfim, a auto-suficiência do petróleo contribui para a eliminação da vulnerabilidade externa do País. "Quando eu era ministro da Fazenda, 48% das nossas exportações eram para pagar o petróleo; hoje somos credores", afirmou. Para Delfim Netto, os problemas de abastecimento de gás não são "de gravidade, mas representam um sinal ruim para o governo". Ele retrucou as afirmações feitas anteontem por autoridades de que não houve estímulo do governo federal à utilização do gás natural no País. "O governo estimulou, sim, o uso de gás, que tem o melhor custo de energia de todos. O gás foi estimulado pelo governo federal e os Estados acompanharam. Foi uma atitude irresponsável não prever aumento de oferta", disse. Para o economista, o governo "até hoje não conseguiu mostrar que não vai faltar energia" e a situação poderá ficar complicada a partir de 2009. "O nível de risco cresce muito a partir de 2009 e, se não houver uma situação bastante cômoda de água, teremos dificuldade, porque estamos atrasados demais nas hidrelétricas". Para ele, o leilão do Rio Madeira, em dezembro, será um sinal importante do governo de que está no caminho de solucionar o problema em parceria com o setor privado.

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