Delfim: não é o momento de queda dos juros

O deputado (PPB-SP) e economista Delfim Netto está pessimista quanto à velocidade da queda dos juros no Brasil. Para Delfim, as taxas não caem tão cedo, e a razão é simples. Historicamente, e até hoje, os juros reais são a única forma de se controlar o déficit em conta corrente no Brasil, e evitar crises cambiais. Delfim explicou que os juros reais controlam a expansão da produção industrial. Os movimentos da produção industrial, por sua vez, se irradiam para a atividade econômica como um todo. E a atividade econômica se traduz imediatamente em expansão (quando ela cresce) ou redução (quando cai) do déficit em conta corrente. Com uma defasagem de aproximadamente oito meses, os juros reais definem o déficit em conta corrente, para uma determinada taxa de câmbio.Hoje, com o câmbio flutuante, teoricamente o déficit em conta corrente poderia ser reduzido pela desvalorização, que estimularia as exportações e reduziria as importações e outras formas de despesas externas. Delfim observou, porém, que a desvalorização está limitada pelo seu potencial de fazer estragos na inflação, impedindo o cumprimento das metas inflacionárias. Neste caso, um dos instrumentos à disposição do BC é justamente o de manter ou elevar as taxas de juros. Para o deputado, é essencial que o Brasil crie condições competitivas para os exportadores que sejam iguais às que são desfrutadas pelos concorrentes. Para isto, é fundamental a reforma tributária.

Agencia Estado,

08 de dezembro de 2000 | 19h46

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