Dell muda foco para pessoa física e lidera setor de PCs

Empresa assumiu a liderança em laptops e desktops com umaumento de 34% nas vendas, apesar do recuo do mercado no País

FERNANDO SCHELLER, O Estado de S.Paulo

14 Maio 2015 | 02h05

A companhia americana Dell chegou, após 16 anos de operação no Brasil, pela primeira vez ao topo do mercado de PCs, que inclui desktops e laptops. A empresa atingiu, de acordo com a consultoria IDC, 15,8% desse mercado no primeiro trimestre de 2015. Há 18 meses, apurou o 'Estado', a empresa tinha menos da metade da participação atual de mercado e ocupava a sétima posição no ranking, atrás de rivais como Positivo, Lenovo/CCE, Samsung e HP.

A Dell, antes conhecida como uma fornecedora de PCs para o mercado corporativo, virou a chave nos últimos dois anos e passou a priorizar o varejo. A empresa, que antes vendia prioritariamente pelo seu próprio site, multiplicou por cinco sua presença em pontos de venda no varejo. Com isso, tem conseguido crescer em um mercado que não para de cair.

No ano passado, segundo a IDC, o mercado de PCs e laptops teve queda de 26%. No último ano fiscal da Dell, encerrado em 31 de janeiro, a empresa se descolou bastante da realidade geral do mercado: cresceu 34%, na comparação com os 12 meses anteriores. "O poder de escolha da tecnologia está na mão dos usuários pessoa física. Hoje, cerca de um terço dos dispositivos usados dentro das companhias pertence, na verdade, aos funcionários. "Em menos de uma década, dois terços dos aparelhos pertencerão aos indivíduos", diz Luis Gonçalves, diretor-geral da Dell Brasil.

Conjuntura. Apesar de o mercado brasileiro de PCs estar em queda - no primeiro trimestre, a retração foi de 20% -, há algumas tendências positivas para as empresas que ainda investem em computadores. Segundo Pedro Hagge, analista de mercado da consultoria IDC, o setor aos poucos está migrando para produtos de maior valor agregado.

Depois de anos em que a briga entre as fabricantes era pelo preço mais baixo, hoje a qualidade conta mais. "O tíquete médio da venda de notebooks hoje é de R$ 2.320. Como o cliente está fazendo uma compra de substituição, não fica mais tão sensível a preço", diz.

Outro fator que ajuda as empresas que continuam a investir em laptops e desktops é a redução do número de marcas disputando este mercado. A partir do momento em que as vendas começam a cair, marcas de baixo valor agregado saem de cena. Esse enxugamento já é percebido tanto nos PCs quanto nos tablets, cujas vendas devem começar a cair ainda em 2015.

Não há, no entanto, perspectiva para que a "queda livre" nas vendas de computadores seja interrompida.

Além da crise, que inibe uma compra geralmente feita a prazo, as tecnologias atuais permitem que o cliente espere bem mais tempo para trocar de máquina. "Hoje, a capacidade de armazenamento dos PCs é maior. E, caso o cliente chegue ao limite, basta comprar espaço na nuvem para que o produto volte a funcionar a contento. Isso adia a substituição, que antes era mais rápida", explica Hagge, da IDC.

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