Delloite não recomenda leilão da Varig

O parecer do administrador judicial da Varig, a consultoria Deloitte, sobre a proposta da VarigLog para compra da ex-controladora não recomenda a realização de leilão judicial da companhia, conforme a proposta da ex-subsidiária. A consultoria considera que se for pequena a possibilidade de haver outros potenciais investidores interessados em comprar a Varig e caso haja a conclusão de que somente a VarigLog estaria interessada na negociação, "o caminho correto seria a votação da proposta da VarigLog diretamente em assembléia geral de credores, sem a posterior realização do leilão com as conseqüências jurídicas daí advindas ao arrematante".O parecer explica que as restrições apontadas pela Deloitte podem ser revistas caso a VarigLog apresente os esclarecimentos solicitados. O documento sugeriu a realização de uma audiência, que foi marcada para a próxima segunda-feira, entre a VarigLog, a Varig, a comissão de juízes do caso e a Deloitte. O presidente da companhia aérea, Marcelo Bottini, quando questionado sobre o assunto, limitou-se a dizer que "são só alguns ajustes"."Não parece a este administrador que poderia ser levado a efeito leilão judicial nas bases sugeridas pela VarigLog, seja porque isto frustraria a competição almejada pelo leilão, criando uma venda direta sob a roupagem de leilão judicial, seja porque a venda pelo preço mínimo apresentado pela VarigLog não seria benéfica aos credores e às próprias empresas em recuperação", conclui o documento, de cerca de 40 páginas, apresentado nesta sexta-feira pela Deloitte à Justiça do Rio de Janeiro. QuestionamentosO parecer da Deloitte questiona principalmente a formação do preço mínimo estipulado pela VarigLog para sua ex-controladora, de R$ 277 milhões. Este valor compõe a proposta total de cerca de R$ 1 bilhão (equivalente a US$ 485 milhões) da oferta. Segundo o cálculo da Deloitte, o valor correto seria de R$ 126,962 milhões, levando em conta todos os itens usados pela VarigLog para a definição do preço. O valor mínimo, no entanto, seria repassado para a chamada Varig antiga, que seria desmembrada da atividade principal para amortizar o passivo de R$ 7,9 bilhões. Funcionários Ainda de acordo com o parecer, a Deloitte chegou à conclusão de que a VarigLog não tem obrigação alguma de absorver os cerca de 10 mil funcionários da Varig. Essa constatação tomou como base o fato de que, nos termos da proposta, o que será objeto de venda da companhia será toda a operação das empresas em recuperação judicial (Varig, Rio Sul e Nordeste), com a conseqüente transferência de linhas aéreas, horários de vôos e permissões para pousos e decolagens. Portanto, "não terão mais as concessionárias remanescentes qualquer operação", exceto o fretamento de apenas duas aeronaves que permaneceriam na Varig antiga que herdaria apenas a concessão da Nordeste. "Diante de tal cenário, não é improvável pensar que quantidade irrelevante dos empregados será absorvida pela Unidade Produtiva Varig (UPV)". A UPV é como está sendo chamada a nova Varig, que é o objeto principal de compra da VarigLog. O documento da Deloitte indica ainda que o custo para a demissão de cerca de 7.500 funcionários de um total de cerca de 10 mil é de US$ 65 milhões. A consultoria observa também que em nenhum lugar da proposta da VarigLog está descrito como serão realizadas as demissões e os desligamentos dos empregados. Pelo plano da VarigLog, a nova Varig ficaria com apenas 2.500 funcionários. De acordo com o parecer, o preço mínimo não deve ser composto pelos seguintes itens propostos pela VarigLog: pagamento relacionado à compra das ações da Varig no capital social da VarigLog; rendimento oriundo das debêntures oferecidas; pagamentos decorrentes de contratos celebrados com as concessionárias remanescentes, "salvo se de tais contratos forem abatidos os efetivos custos incorridos pelas ditas empresas para a prestação dos respectivos serviços, bem como levado em conta a correção monetária aplicada". Smiles O estudo ainda considera que não está claro como a ex-subsidiária assumirá todas as obrigações do programa de milhagem Smiles. Segundo constatação, a proposta diz que não serão assumidas obrigações do programa que tenham sido constituídas antes da oficialização da eventual compra da Varig. O relatório da consultoria também questiona o objetivo da VarigLog de assumir todas as linhas aéreas, horários de vôo e permissões de pouso e decolagem desde a época em que a Varig entrou em recuperação judicial, no dia 17 de junho do ano passado. O parecer conclui que não há como se garantir tal transferência, já que as atuais linhas , horários de vôo e permissões de pouso e decolagem não são os mesmos que existiam há cerca de um ano. Este texto foi atualizado às 17h42.

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