Deloitte vai a julgamento na CVM pelo caso Aracruz

Empresa pode ser considerada uma das responsáveis pela perda de R$ 2 bilhões com derivativos cambiais

Sabrina Valle, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2011 | 00h00

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu levar a julgamento a empresa de auditoria Deloitte Touche Tohmatsu e seu sócio e responsável técnico José Carlos Monteiro no caso ligado à perda de cerca de R$ 2 bilhões sofrida pela Aracruz Celulose em 2008, por causa de operações com derivativos cambiais. O caso discute a responsabilidade dos envolvidos sobre a operação que pôs em risco a própria sobrevivência da empresa e gerou prejuízo a seus acionistas.

As operações escolhidas pela empresa eram mais baratas do que outras opções no mercado, mas dependia de estabilidade cambial. Com a crise de 2008 e a valorização súbita do dólar em relação ao real, a empresa teve perdas bilionárias.

Monteiro e a Deloitte, responsáveis pela auditoria das contas, tentaram um acordo com a autarquia para encerrar processo, sem presunção de culpa, mas tiveram sua proposta negada pelo comitê da CVM responsável por avaliar a questão.

Ontem, a Deloitte esclareceu ter desistido da negociação por achar excessivo e desproporcional o valor sugerido pela autarquia. Disse ainda acreditar que seus procedimentos foram adequados e que levou em consideração exclusivamente o tempo e os custos advocatícios envolvidos na defesa para formular uma proposta.

Monteiro e a Deloitte chegaram a oferecer R$ 150 mil e R$ 300 mil, respectivamente. Mas o comitê inicialmente considerou os valores baixos, dado o "contexto em que se verificaram as infrações imputadas aos proponentes, a especial gravidade das condutas consideradas ilícitas e o histórico de ocorrências da empresa de auditoria,. O comitê propôs então elevar os valores para R$ 800 mil a Monteiro e R$ 1,7 milhão à Deloitte.

"A contraproposta financeira feita pela CVM foi considerada excessiva e desproporcional ao questionamento em si, razão pela qual decidimos não aceitá-la", disse a Deloitte em nota à Agência Estado. A CVM então sorteou um relator para o caso, o que significa que a discussão segue para julgamento, ainda sem data marcada.

Caso Sadia. A situação da Aracruz - que posteriormente foi comprada pela Votorantim Celulose e Papel, dando origem à Fibria - é muito parecida com a vivida pela Sadia, que teve um capítulo de seu imbróglio julgado em dezembro. Foram condenados todos os ex-membros do conselho de administração a pagamento de multas entre R$ 200 mil e R$ 400 mil. Muitos recorreram da decisão.

Além da Deloitte, que auditava as contas da Aracruz, também os membros do conselho de administração da empresa serão julgados num processo paralelo. Não há expectativa, porém, de que a sessão ocorra antes do Carnaval, em março.

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