Delphi fechou três fábricas de autopeças no Brasil este ano

Os 700 trabalhadores de Cotia entraram em greve, em protesto contra a transferência da produção para Piracicaba

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2015 | 02h03

A fabricante de autopeças Delphi decidiu fechar a fábrica de Cotia, na Grande São Paulo, e transferir a produção de sistemas de injeção de motores para a unidade de Piracicaba, interior do Estado. É a terceira fábrica do grupo a encerrar atividade. Neste ano, já foram fechadas filiais em Itabirito (MG) e Mococa (SP). Até 2014, a multinacional tinha nove fábricas no País.

Em protesto contra a decisão, os cerca de 700 trabalhadores entraram em greve e ontem realizaram passeata pela Rodovia Raposo Tavares. Eles seguiram até a prefeitura e a Câmara Municipal, onde pediram ajuda para convencer a empresa a permanecer na cidade. A Delphi é a maior metalúrgica de Cotia.

A Delphi informou que, por causa dos efeitos de redução de pedidos do setor automotivo - com quedas significativas de encomendas desde 2013, atingindo níveis como os de 2007 - "identificou a necessidade de realizar ajustes em sua operação de forma estratégica".

Os ajustes "visam a fortalecer a capacidade da empresa em atuar em um mercado competitivo na América do Sul e no mundo", afirmou a Delphi. Disse ainda que a mudança de Cotia ocorrerá de forma gradual até 2016. Será oferecida aos funcionários a possibilidade de transferência para Piracicaba, onde trabalham cerca de 500 pessoas.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região, Jorge Nazareno, disse que a direção da Delphi deu prazo até o fim do mês para que os funcionários decidam pela transferência. Quem não aceitar, será demitido. "Não é uma decisão que se toma tão facilmente, pois os trabalhadores têm filhos na escola aqui, mulher que trabalha aqui."

Além disso, disse Nazareno, "a empresa não ofereceu, por enquanto, nenhuma ajuda de custo ou estabilidade de emprego para quem quiser se mudar".

A empresa fornece produtos para o mercado de reposição e grandes montadoras. As vendas de veículos caíram 21% de janeiro a julho. "A empresa segue enxergando a América do Sul como mercado estratégico e relevante", disse a Delphi.

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