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Delta avalia incorporar aviões da frota da Gol

Companhia aérea brasileira, que tem como acionista a empresa americana, pretende se desfazer de cerca de 20 aviões neste ano

O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2016 | 09h44

A companhia aérea americana Delta Airlines está avaliando a possibilidade de incorporar à sua frota aeronaves da brasileira Gol, da qual é acionista minoritária. Diante da crise econômica no Brasil, a Gol está em um processo de redução de voos e pretende se desfazer de cerca de 20 aeronaves de sua frota atual até o fim do ano.

A afirmação sobre as aeronaves foi feita ontem por Ed Bastian, que assumirá o cargo de executivo-chefe da Delta em maio, durante teleconferência de resultados da empresa americana. “Estamos em diálogo. Não somos os únicos indivíduos na mesa porque eles também estão conversando com alguns ‘lessors’ (empresas de leasing)”, afirmou. Mas disse que a companhia está “trabalhando muito de perto com os parceiros no Brasil”. A Delta é dona de 9,48% da Gol.

Segundo a Delta, uma decisão sobre incorporar aeronaves da Gol à frota ou usar seus componentes para reformar outros aviões ainda não foi tomada. Ao contrário da aérea brasileira, a americana está com bons resultados financeiros. A companhia obteve um lucro operacional de US$ 1,5 bilhão no primeiro trimestre, alta de 10% em relação ao mesmo período de 2015.

Nos planos de investimento da Delta está a renovação da sua frota de aviões de um corredor. A empresa pretende aposentar cerca de 115 aeronaves mais antigas MD-88, com capacidade para até 149 passageiros, assim como tirar de operação jatos menores e menos eficientes usados em voos regionais, explicou o vice-presidente financeiro da comanhia, Paul Jacobson.

A Reuters havia noticiado na semana passada que a Delta estava em negociações com fabricantes para comprar dezenas de jatos. Jacobson disse que a Delta ainda não decidiu que aviões adquirir.

Em comunicado, a Gol informou que “planeja reduzir sua frota em aproximadamente 20 aeronaves e, para tanto, conta com a assessoria especializada da SkyWorks, que está iniciando os trabalhos junto aos arrendadores, a fim de encontrar eventuais interessados”. A empresa disse que ainda não tem soluções fechadas ou qualquer anúncio a ser feito. A Gol encerrou 2015 com 144 aviões da Boeing, modelos 737-700 e 737-800 Next Generation.

Repasse de aviões. Com dívida em alta e queimando caixa, a Gol contratou em março duas consultorias para promover uma reestruturação financeira. Uma delas, a Skyworks, é focada em renegociação de contratos de leasing.

A transferência de um avião não é um processo simples. As empresas aéreas têm contratos de médio e longo prazo com companhias de leasing, e sua interrupção antecipada pressupõe a cobrança de multas. A companhia deve encontrar outra empresa interessada em assumir o contrato de leasing e os aviões. Além disso, os balanços patrimoniais precisam ser ajustados. Cada avião arrendado tem uma vida útil de motor, informação que é traduzida financeiramente como um ativo das empresas aéreas.

A Gol e a Delta são empresas listadas em bolsa de valores e ambas têm acionistas minoritários. “Não dá para pegar um avião de uma empresa e simplesmente passar para a outra”, explicou ao Estado uma fonte a par da reestruturação da Gol. “A transferência dos aviões só vai ocorrer se for interessante para as duas empresas. Se não for, a Gol repassa o avião para outra companhia e a Delta compra de outra”, afirmou.

A proximidade entre as empresas, no entanto, pode favorecer a negociação, explicou a fonte. Se vários aviões estiverem à venda em condições similares, a Delta poderia, por exemplo, comprar os aviões da Gol para ajudá-la a se desfazer do ativo. Outra vantagem é que a empresa tem uma garantia maior da condição de uso do avião quando compra de uma sócia.

A brasileira Azul e a TAP, companhia aérea portuguesa que tem como investidora a própria Azul, anunciaram uma operação similar este ano. A TAP vai receber, ao longo dos próximos meses, 19 aviões da Azul, que, assim como a Gol, está reduzindo sua frota para se ajustar ao cenário de crise na aviação brasileira. / REUTERS E MARINA GAZZONI

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