Delta se une à Northwest e cria a maior companhia aérea do mundo

Pressionadas pelo aumento do custo do combustível, outras companhias aéreas devem se unir nos Estados Unidos

Jeff Bailey, The New York Times, O Estadao de S.Paulo

15 de abril de 2008 | 00h00

Os Conselhos de Administração da Delta e da Northwest Airlines anunciaram ontem à noite que vão criar a maior empresa aérea do mundo, em um negócio que provavelmente será o gatilho para outras fusões de companhias aéreas.Diretores das duas companhias aprovaram o acordo em teleconferências. A transação, baseada na troca de ações, avalia a empresa resultante da combinação das duas companhias em US$ 17,7 bilhões.Se aprovarem o acordo, os acionistas da Northwest receberão 1,25 ações da Delta para cada ação da Northwest que possuem, informaram as companhias em um comunicado.Sete representantes da Delta e cinco da Northwest vão se unir em um Conselho da nova empresa, que será chamada Delta. A Airline Pilots Association, que representa pilotos das duas companhias, receberia um assento no Conselho, disse uma pessoa ligada ao acordo e que pediu para ficar no anonimato porque não estava autorizada a falar em nome das companhias.O presidente da Delta, Richard Anderson, comandaria a nova companhia aérea, com Roy J. Bostock, um membro do Conselho da Northwest que também faz parte do Conselho do banco Morgan Stanley, como seu vice-presidente. O presidente da Northwest, Douglas Steenland, teria um lugar no Conselho mas não teria um papel no dia-a-dia das operações.O quartel-general das duas empresas combinadas será em Atlanta, com escritórios administrativos na área de Minneapolis/St. Paul.As duas companhias se empenharam para chegar a um acordo - apesar do fracasso na tentativa de ganhar o apoio integral de dois poderosos sindicatos de pilotos - porque a alta dos preços de combustível destruiu as brilhantes perspectivas financeiras das duas empresas quando elas emergiram de uma concordata, um ano atrás.A Delta e a Northwest apostam que os cortes de custos e os benefícios de uma maior rede de vôos podem superar o potencial caos operacional e a agitação entre os funcionários que pode resultar de uma fusão entre companhias aéreas.Alguns investidores têm esperanças que uma fusão pode levar a outra. A United Airlines e a Continental Airlines é uma das combinações favoritas. Mas ela também não é uma certeza. Embora o presidente da United Airlines, Glenn F. Tilton, esteja ansioso por uma fusão, a Continental resiste à idéia. A empresa informou que só consideraria essa hipótese se fosse uma combinação como a da Delta e da Northwest.PILOTOSNo final de 2007, a Delta e a Northwest tinham, juntas, 89 mil empregados. A American Airlines, hoje a maior companhia aérea do mundo, tinha 85,5 mil.Mas os executivos das duas empresas se esforçaram ardorosamente para ganhar o apoio dos grupos de 6,3 mil pilotos da Delta e 4,5 mil da Northwest nos últimos meses.O esforço não teve sucesso. Os pilotos não concordaram com a fusão das listas de empregados seniores, que são importantes para se determinar o pagamento, as escalas e o tipo de avião que eles voam.Anderson se viu diante da opção de abandonar o negócio ou levar as conversas adiante e arriscar ser hostilizado pelos pilotos que poderiam enfraquecer seus esforços para combinar rapidamente - e com tranqüilidade - as duas companhias.O presidente da seção da Northwest na Air Line Pilots Association, Dave Stevens, disse no domingo que qualquer acordo que não atendesse o interesse de seus integrantes encontraria "oposição vigorosa".

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