Demanda ainda segura repasse de preços, dizem empresários

A alta das matérias primas ainda é o principal fator a impactar os preços industriais, mas empresários e analistas dizem que não há sinais de pressões inflacionárias. Segundo o economista-chefe do Bradesco, Otávio de Barros, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado hoje mostra, de fato, uma clara evidência do efeito das pressões do atacado sobre o varejo, por conta dos preços do petróleo e do aço.Mas, segundo destaca o presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Claudio Vaz, "ainda não há fôlego de demanda que permita aumento de preços", afirmou. Vaz acredita que os reajustes dos salários dos trabalhadores da indústria, que acontecem neste segundo semestre, só serão repassados ao comércio se houver condições de mercado, algo que ainda não se vê. No caso de aumentos reais, o empresário acredita que só não terão impacto nos preços se vierem acompanhados de ganhos de produtividade.Na prática, alguns segmentos da indústria tentam elevar a produção para vender mais, uma forma de atenuar a defasagem de preços em relação às matérias primas. A diretora da Associação Brasileira da Embalagem (Abre), Luciana Pellegrino, diz, por exemplo, que no primeiro semestre do ano a alta média das matérias primas de embalagens (aço, alumínio, celulose, plásticos e vidro) foi de 26%, segundo levantamento da FGV para o setor. Mas as embalagens subiram na média 12%. "Há uma defasagem muito grande", afirma a executiva.

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