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Demanda aquecida explica mudança de ritmo, diz mercado

Para analistas, queda de 0,25 ponto deve-se a dados como vendas no varejo, que cresceram 10% no 1.º semestre

Fernando Dantas, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2006 | 00h00

A forte aceleração da atividade econômica é vista por muitos analistas como o principal fator para a redução do ritmo de corte da Selic, a taxa básica de juros. Ontem, o Banco Central (BC) decidiu por unanimidade baixar a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 11,25% ao ano, após dois cortes de 0,50.''''A lógica anterior do BC era a de que o amortecedor para as vendas mais aquecidas do que a produção eram as importações, mas agora não dá mais para contar com um câmbio que só se fortalece'''', diz Alexandre Pavan Póvoa, diretor executivo do Modal Asset Management.Há vários dados recentes indicando a demanda aquecida. As vendas no varejo subiram 9,9% nos seis meses até junho, comparado com igual período de 2006. Em um ano, elas tiveram uma alta de 8,2%. A produção industrial, por sua vez, embora com desempenho muito bom, está aquém do varejo. Nos sete meses até julho, cresceu 5,1%, na comparação com o mesmo período de 2006, e em doze meses a expansão foi de 4,2%.Alexandre Schwartsman, economista-chefe do ABN Amro para a América Latina, e ex-diretor do BC , nota que a utilização da capacidade utilizada na indústria, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), está nos níveis mais altos desde que uma nova série foi introduzida em 2003. Ele enfatiza o salto que o indicador deu em ano. Na média trimestral do período de maio a julho de 2006, a utilização estava em 80,6%. Na média até julho deste ano, subiu para 82,5%.Isto pode indicar que a folga das indústrias, em termos de capacidade produtiva para atender uma demanda maior, pode estar rapidamente se esgotando. Um exemplo extremo é o da indústria automobilística, no qual, segundo os dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de veículos nos primeiros oito meses do ano cresceram 28% em relação a igual período do ano passado. Em um ano, a expansão é de 21%.A indústria automobilística, na verdade, está trabalhando em três turnos e recentemente vem sendo registrados casos de contratação de aposentados, por falta de mão de obra qualificada, e de filas de espera por determinados modelos. Mesmo não podendo ser tomada como média do setor industrial, já é que é um dos segmentos mais aquecidos, ela pode indicar que o aumento das importações não está acontecendo em ritmo suficiente para suprir a demanda, o que leva a queda de estoques - que, segundo Schwartsman, teriam caído em 47 mil unidades nos doze meses até julho, baixando para cerca de 140 mil.Mas há um setor cujo forte aquecimento é favorável ao controle de inflação: as máquinas e equipamentos, que aumentam a capacidade produtiva, e cuja absorção nacional cresceu a um ritmo de 8,9% nos sete primeiros meses do ano.

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