Demanda das empresas por crédito cai em janeiro

A retração na demanda das empresas por financiamento, tradicional no início do ano, gerou uma pequena queda no volume de crédito oferecido pelo sistema financeiro nacional no mês passado. De acordo com os dados apurados pelo Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, o estoque de crédito ofertado pelo sistema em janeiro somou R$ 408,747 bilhões, o que representou uma queda de 0,3% em relação ao fechamento de dezembro de 2003. "Janeiro é um mês onde tradicionalmente há uma retração sazonal no crédito. As empresas aumentam seu endividamento no final do ano e em janeiro há um refluxo dessa demanda", disse o chefe do Depec, Altamir Lopes, explicando a pequena retração no volume das operações de crédito verificada no primeiro mês de 2004.Aumento para pessoas físicasMas, se por um lado há uma queda no que tange o crédito às empresas, para as pessoas físicas houve um aumento no uso de algumas modalidades de financiamento, como o cheque especial, crédito pessoal e cartão de crédito. "Os compromissos financeiros geram um tradicional movimento contrário, no caso das pessoas físicas", explicou Lopes, lembrando que o pagamento de alguns tributos como IPVA, IPTU e as despesas com material escolar acabam por pesar no orçamento doméstico, o que leva as pessoas a retomarem o uso de tradicionais instrumentos de financiamento. O volume de dinheiro tomado via cheque especial, por exemplo, aumentou 4,9% entre dezembro de 2003 e janeiro de 2004. No mesmo período, o crédito pessoal registrou um aumento de 1,2% e o cartão de crédito, 1,1%. Retração dá sinais de reversãoA pequena retração registrada pelo Banco Central no volume de crédito ofertado pelo sistema financeiro em janeiro já deu sinais de reversão no início deste mês de fevereiro. Segundo Altamir Lopes, nos primeiros nove dias do mês já foi verificado um aumento de 5% na média diária de novas concessões de crédito. Outro fator positivo identificado pelo Depec refere-se às taxas de juros praticadas pelo mercado. "Há uma continuidade no movimento de redução das taxas", disse Lopes.Em janeiro, a taxa média de juros cobrada pelos bancos pelo uso do cheque especial bateu em 143,5% ao ano, a menor taxa registrada pelo Depec desde maio de 2000, quando o juro praticado era de 141,9% ao ano. "Até o dia 9 de fevereiro, essa taxa estava em 143,3%", disse Altamir.Nas operações de crédito pessoal, o juro cobrado em janeiro foi de 79,1%, e já caiu para 78,8% agora em fevereiro. Segundo Lopes, essa é uma modalidade com bastante espaço para redução, já que o juro cobrado nesse tipo de operação já foi de 67,3% em janeiro de 2001. "Temos mais de 10 pontos porcentuais de espaço entre a taxa praticada agora e a menor registrada na série histórica do BC", comentou Lopes. O financiamento de veículos também registrou em janeiro a segunda menor taxa já registrada pelo BC: 36,1% de juros ao ano. Mas as operações feitas no início de fevereiro já contabilizaram uma taxa média de 35,2%.De maneira geral, a taxa de juros cobrada pelas instituições financeiras das pessoas físicas atingiu um dos patamares mais baixos da série histórica do BC. Os 65,4% registrados em janeiro foram os juros mais baixos já praticados desde março de 2001, quando essa taxa geral estava em 63,5%. "É claro que o patamar é alto mas essa taxa já registrou, em fevereiro, uma nova queda, indo para 64,8%", disse Lopes. Redução do juro para pessoa física Na avaliação de Altamir Lopes, a redução na taxa de juros cobrada das pessoas físicas reflete a queda no spread cobrado, que é a diferença entre o custo de captação de dinheiro pelo banco e a taxa final cobrada do tomador de empréstimo. De dezembro para janeiro, o spread praticado nas operações com pessoas físicas caiu de 50,8% para 50%. No início deste mês, nova queda, dessa vez para 49,2%. Para as empresas, o patamar de juros praticado em janeiro e dezembro ficou estável. No último mês de 2003, a taxa geral de juros cobrada pelos bancos nos financiamentos às empresas estava em 30,2% e caiu para 30,1% em janeiro. "Até o dia 9 de fevereiro, essa taxa havia voltado para os 30,2% de dezembro", disse Lopes.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.