Demanda das empresas por crédito volta ao patamar pré-crise

Indicador Serasa Experian atingiu 105,4 pontos em julho, superando pela primeira vez o registrado em outubro

Lucinda Pinto, da Agência Estado,

17 de agosto de 2009 | 12h52

A demanda das empresas por crédito registrou crescimento de 5,5% em julho em relação a junho, na quinta elevação mensal consecutiva, segundo mostra o Indicador Serasa Experian de Demanda das Empresas por Crédito. Dessa forma, o número índice do indicador atingiu 105,4, superando, pela primeira vez em 2009, o patamar verificado em outubro do ano passado, de 103,9. Ou seja, a procura das empresas por crédito retornou ao nível pré-crise. Mas, segundo ressalta o gerente de indicadores de mercado do Serasa Experian, Luiz Rabi, esse mesmo crescimento não se observa na oferta de empréstimos para empresas. Segundo os dados do Banco Central, as concessões de crédito em junho, último dado disponível, ainda estão 10% abaixo do que estavam em outubro de 2008. E, na comparação com dezembro do ano passado, acumulam queda de 14,2%, enquanto que a demanda por crédito avançou 26% nesse período. "É por isso que o spread bancário não cai", afirma Rabi, lembrando que o spread bancário em operações para pessoa jurídica estava, em outubro de 2008, em 17,7 pontos e, em junho, em 18,3 pontos.

 

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De acordo com o indicador da Serasa Experian, na comparação com julho do ano passado, houve queda de 2,7% na demanda por crédito. E, no semestre, a variação ainda é negativa, em 6,1% em relação ao mesmo período de 2008. De acordo com Rabi, quando se observa a evolução da demanda na margem, fica claro que há uma retomada gradual da atividade econômica doméstica. Mas esse movimento ainda está longe de significar uma normalização das condições de crédito e produção. Segundo ele, as empresas estão demandando recursos para capital de giro, e não para investimentos. "A economia tem uma ociosidade elevada e, por isso, os investimentos ainda vão ficar estagnados por algum tempo", afirma.

 

Rabi chama atenção também para o fato de serem as empresas de serviço as que lideram o aumento da demanda por crédito, com crescimento de 6,2% em julho ante junho. Por ser atrelado ao mercado doméstico, o setor de serviços foi o menos afetado pela crise e, agora, mostra uma retomada mais forte do que os demais. Entre as empresas do setor de comércio, a demanda por crédito cresceu 5,1%. Nesse caso, as medidas de estímulo fiscal adotadas pelo governo no primeiro semestre e a melhora da confiança do consumidor contribuíram para a recuperação da atividade, estimulando maior demanda por crédito. Por fim, na indústria, o avanço da demanda em julho foi de apenas 4,5% na margem. "A indústria conta com uma parcela grande de empresas ligadas ao mercado externo, que ainda estão estagnadas", afirma Rabi. Nas comparações interanuais, no entanto, todos os setores ainda registram queda: serviços, -5,7%; comércio, -6,5%; e indústria, -6,7%.

 

Para o segundo semestre, as perspectivas são de continuidade do crescimento, segundo Rabi. Isso porque a segunda metade do ano é sazonalmente mais aquecida, uma vez que o pico da produção industrial está concentrado entre agosto de outubro. Também por uma questão de estatística, as taxas de crescimento interanuais tendem a ser positivas nesse período, uma vez que a base de comparação será mais fraca - a demanda das empresas por crédito entrou em declínio na maior parte do segundo semestre de 2008, por conta do agravamento da crise financeira internacional. Ainda assim, Rabi não está certo de que esse avanço será suficiente para garantir um desempenho positivo do indicador em 2009. "Para que esse movimento tenha fôlego, é importante que a oferta de crédito também avance de forma a garantir o alívio do spread bancário", afirma.

 

Na classificação por porte, o destaque no crescimento da demanda das empresas por crédito em julho foram as micro e pequenas empresas, com crescimento de 5,7%, seguidas pelas grandes empresas com alta de 5,0% no mês passado. No acumulado de 2009, vale notar que as grandes empresas já registram variação positiva em suas procuras por crédito, justificadas, em grande parte, pelo fato de terem voltado para o mercado financeiro doméstico, tendo em vista as dificuldades impostas pela crise financeira internacional às captações de recursos externos.

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