Demanda de álcool dos EUA será 4 vezes a oferta do Brasil

Se os norte-americanos seguirem à risca o apelo feito nesta quarta-feira, 24, pelo presidente George W. Bush - de utilizarem 20% de combustíveis alternativos e renováveis nos veículos em 10 anos - a demanda por etanol em 2017 pode chegar a 132 bilhões de litros (35 bilhões de galões). O volume é 3,3 vezes e quatro vezes o que o Brasil deverá produzir na mesma época, ou entre 30 bilhões e 40 bilhões de litros, de acordo com previsões do setor sucroalcooleiro. As estimativas, que necessariamente serão revistas, apontam ainda uma exportação de 4 bilhões de litros do combustível brasileiro. O presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Eduardo Pereira de Carvalho, afirmou que os reflexos da demanda norte-americana para o Brasil vão depender de quanto irá crescer a oferta nos Estados Unidos. A previsão mais próxima dava conta de que em 2012 os norte-americanos iriam consumir 28,4 bilhões de litros, 104 bilhões de litros de diferença para a previsão de 2017. "Tudo vai depender de como deve ser o crescimento interno da produção dos Estados Unidos, mas o mais importante (nas declarações de Bush) é que um indicador para todas as nações continuarem ampliando o uso do etanol", afirmou. Para o consultor e ex-presidente da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, "nunca antes o governo brasileiro teve oportunidade e a necessidade da criação de uma política que colocasse um marco regulatório para o setor produtivo de álcool, que atraia o capital para que a produção dessa demanda seja aqui", afirmou. Ele entende que, além dos Estados Unidos, com a produção própria, apenas o Brasil tem a capacidade de suprir a necessidade pelo combustível alternativo necessário ao mercado norte-americano. "É uma chance inacreditável", concluiu o consultor.O crescimento do uso de etanol nos Estados Unidos deve fazer o país disparar na liderança mundial da produção do combustível, feito principalmente a partir do milho no país. Na atual safra, os norte-americanos produziram cerca de 20 bilhões de litros, ante 17 bilhões do Brasil.

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