Demanda deve conter repasse da alta do dólar

A demanda enfraquecida deve evitarque a alta do dólar faça maiores estragos nos índices de preços.Segundo economistas, apesar de o câmbio estar se refletindo nainflação, o desaquecimento da economia impede que haja umrepasse integral da desvalorização do real para os preços."Tenho conversado com empresários e não adianta, elessimplesmente não estão conseguindo vender os produtos com umgrande aumento nos preços", diz o consultor José AugustoSavasini, sócio-diretor da Rosenberg & Associados. Segundo cálculos da LCA Consultores, cada 10% de alta nocâmbio resultam em mais 1,5% na inflação para o consumidor. Esserepasse, porém, não é imediato, pode levar entre seis e novemeses para se completar e depende muito do dinamismo do consumoe da recomposição dos estoques. À medida que os varejistas fazemnovas encomendas à indústria para recompor seus estoques é quese percebem os efeitos da desvalorização cambial. "Por isso éque nós começamos a sentir agora a alta do dólar que vem desdemaio", diz Luís Suzigan, economista-chefe da LCA. Essa alta da inflação funciona como um freio na economia já que ela limita o espaço que o Banco Central tem para baixaros juros e reaquecer a demanda. "Com a ameaça de inflação, o BCnão pode cortar os juros; e os juros altos seguram o consumo debens duráveis, como eletroeletrônicos", diz Suzigan. Ele prevêque o dólar feche o ano cotado a R$ 3,40 e o IPCA seja de 7%. Noano que vem, a cotação da moeda americana cairia para R$ 3,20 ea inflação, para 6,5%. Savasini trabalha com previsões menos animadoras deinflação: Índice de Preços ao Consumidor de 8,3% e 10% no anoque vem, com a retomada no consumo prevista para o segundosemestre. O grande perigo para o próximo governo, na opinião deeconomistas, é ceder às tentações inflacionárias. Com a previsãode baixo crescimento do PIB, a arrecadação federal deve cair, oque compromete o superávit primário (receita menos gastos,descontadas despesas com juros). Se houver um pouco de inflação,o valor nominal da arrecadação do governo sobe, enquanto asdespesas previstas no orçamento continuam iguais. "Um pouco deinflação funciona como um ´auxiliar´ no corte de despesas", dizSavasini. "O perigo é o governo se entusiasmar demais com esse´auxiliar´ e acabar com uma inflação fora do controle."

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