finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Demanda e oferta de crédito encolhem

O quadro que se desenha, neste início de ano, é de uma sensível redução não só da demanda, mas também da oferta de crédito, tanto para as empresas como para as pessoas físicas e, em especial, para investimentos. Isso retirará da política econômica adotada no primeiro mandato de Dilma Rousseff uma de suas principais características, que é o crescimento explosivo do crédito, particularmente por parte dos bancos públicos.

O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2015 | 02h02

São muitos os sinais de mudança. Em setembro, o Banco Central (BC) previa expansão de 12% do crédito em 2014, uma redução em relação a 2013, quando o crescimento foi de 14,6%. A situação, no entanto, se deteriorou com a nova alta no custo do dinheiro, passando as empresas a agir com mais prudência.

Segundo a Serasa Experian, a demanda por crédito por parte de empresas teve queda de 10% em novembro em relação a outubro, sem ajuste sazonal. Os bancos vêm procurando uma saída por meio do alongamento do prazo dos empréstimos, mas já preveem que o crédito pouco avançará em 2015, menos por causa das instituições privadas que da retração dos bancos públicos, que já respondiam, em meados do ano passado, por 52,9% do total de crédito concedido no País.

Ainda em dezembro, a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), utilizada pelo sistema BNDES, foi elevada pelo Conselho Monetário Nacional de 5% para 5,5% ao ano, e pode voltar a ser reajustada trimestralmente. Presume-se que a elevação seja gradual, mas o objetivo do governo, afirmou o novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é o alinhamento às taxas de mercado.

Isso foi só o começo, uma vez que a intenção do governo é reorientar o papel do BNDES, cortando os aportes do Tesouro à instituição, como forma de diminuir os subsídios embutidos na TJLP e permitir uma redução gradual da dívida bruta.

Isso terá impacto nos financiamentos ao setor produtivo, mas serão as empresas estatais, incumbidas de grandes projetos, que deverão ser mais atingidas. A Eletrobrás, por exemplo, estima uma redução de caixa de 14,7% como consequência do menor acesso a financiamentos. A holding estatal do setor de energia elétrica pretende gastar 6,7% menos em relação a 2014.

Em situação ainda mais delicada encontram-se projetos da Petrobrás e de grandes empresas construtoras nacionais por ela contratadas, objeto de investigações pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, no bojo da Operação Lava Jato.

Tudo o que sabemos sobre:
economiacréditoO Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.