Demanda forte da OCDE reduz estoques de petróleo

Os estoques de petróleo das nações-membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) caíram, no quarto trimestre de 2013, para os menores níveis desde 2008 - e no ritmo mais rápido desde 1999 -, segundo a publicação Oil Market Report, da Agência Internacional de Energia (AIE), divulgada quinta-feira. A explicação é a forte demanda de óleo pelos países da OCDE, num sinal de que a aceleração do ritmo de atividade econômica não foi puxada apenas pelos Estados Unidos.

O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2014 | 02h06

No trimestre passado, houve recuo dos estoques da OCDE da ordem de 1,5 milhão de barris por dia. No período, o desequilíbrio entre a oferta e a demanda foi da ordem de 100 milhões de barris, pela primeira vez, nos últimos dez anos.

A oferta, notaram os especialistas da AIE, foi "desapontadora". Na Líbia, por exemplo, a produção diária caiu do máximo de 1,42 milhão de barris, em abril, para apenas 1 milhão de barris, em dezembro. Tampouco o Iraque conseguiu manter o fluxo mais elevado de produção, de 3,24 milhões de barris/dia, em abril, reduzindo a oferta para cerca de 3 milhões de barris/dia.

Graças ao aumento da demanda, houve, em janeiro, uma recuperação dos preços da commodity, tanto do tipo Brent como do WTI. Reduziu-se, além disso, a diferença (spread) entre as cotações dos dois tipos principais do óleo bruto, de US$ 12,25 o barril, em janeiro, para US$ 10,00, no início deste mês.

Produzindo pouco, o Brasil ficou no pior dos mundos: o petróleo que importa teve apreciação, enquanto o consumo aumentou. Ampliou-se, na prática, o subsídio dado aos consumidores de gasolina. Entre os últimos trimestres de 2012 e 2013, a demanda brasileira aumentou de 2,99 milhões de barris/dia para 3,20 milhões de barris/dia. E, pelas estimativas da AIE, chegará a 3,27 milhões de barris/dia no terceiro trimestre deste ano. Já a produção diminuiu, em média, de 2,16 milhões de barris/dia, em 2012, para 2,12 milhões, em 2013.

O aumento da produção, neste ano, com a intensificação da extração de óleo nas bacias do pré-sal de Campos e Santos, é por ora apenas promessa. A AIE prevê que a oferta no Brasil cresça apenas 83 mil barris/dia, em média, neste ano.

No mundo, o reequilíbrio entre oferta e demanda de óleo é, mais do que provável, quase certo. Mais difícil é o Brasil reduzir a importação de combustíveis e lubrificantes, o item que mais pesou no déficit comercial da primeira semana de fevereiro.

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