Demanda fraca limita expansão do varejo, avalia a FGV

Entre os fatores limitativos à melhora dos negócios na atividade de comércio apontados pelos empresários na sondagem setorial de maio, a demanda insuficiente, o custo da mão-de-obra e o custo financeiro figuraram entre os principais destaques. Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), 21,6% dos empresários indicam que não há demanda que justifique a expansão, enquanto 13,2% percebem que o crédito está mais caro - os dois quesitos são indícios de mercado desaquecido. Por outro lado, 17,3% apontam custo elevado da mão de obra.

IDIANA TOMAZELLI, Agencia Estado

27 de maio de 2014 | 14h21

De acordo com o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, Aloisio Campelo, chama a atenção o fato de que o porcentual dos que citam o custo financeiro como limitação é o mais elevado da série, iniciada em março de 2010. O resultado é superior até mesmo ao verificado nos três primeiros trimestres de 2011, quando a Selic, taxa básica de juros, era maior do que os atuais 11%. A dificuldade para acessar o crédito, contudo, não cresceu na avaliação dos empresários como um fator limitativo, o que mostra o mercado ainda disposto a conceder capital aos comerciantes.

"Os bancos estão mais cautelosos, então o empresário gasta mais tempo para conseguir o crédito. Pode ser que mais gente esteja percebendo isso como um custo", explicou Campelo.

Em maio, 7,1% dos empresários afirmaram ser difícil obter crédito atualmente. O resultado é pouco diferente do verificado em maio de 2013 (6,7%) e em maio de 2010 (7,0%), ano em que a série teve início. Por outro lado, o porcentual dos que acreditam ser fácil obter crédito caiu a 33,9%, de 34,4% em maio do ano passado. No início da série, esse dado era bem maior: 57,1% em maio de 2010.

Ajuste experimental

O Índice de Confiança do Comércio (Icom) caiu 4,4% no trimestre até maio em relação a igual período de 2013. A FGV ainda não divulga oficialmente dados ajustados sazonalmente, que permitiriam fazer a comparação contra o mês imediatamente anterior. A despeito disso, Campelo vem testando uma série com ajuste "experimental", que mostra os indicadores no piso de toda a série.

Segundo o ajuste, a queda do Icom teria sido de 2,5% em maio ante abril, para 116,1 pontos, o pior nível da série. O Índice da Situação Atual (ISA) teria retração de 3,0%, enquanto o Índice de Expectativas (IE) recuaria 2,0%. Apesar disso, o economista ressalta que o estudo é feito em caráter experimental e ainda pode ser alterado, com impacto sobre os resultados. Por isso, a FGV divulga oficialmente apenas os dados em bases trimestrais interanuais.

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